quinta-feira, 7 de abril de 2011

Caso seja pelo “achismo”...


A matéria com o titulo “Pecuária de Parintins ainda é a melhor” veiculada no jornal Novo Horizonte da edição nº 872, período de 26 de março a 01 de abril, no caderno de cidade, poderia ter por nós inúmeras possibilidades de análise. Poderíamos explanar as questões, por exemplo, das frases desconexas encontradas no texto, da utilização equivocada de pronomes ou dos erros de pontuação, porém seriam tópicos inexpressivos e já “normais” de serem vistos em nossos impressos locais. No entanto, nos concentraremos nas questões elencadas pelo teor da noticia.
Primeiramente, nunca se recomenda a um repórter receber regalias de um empreendimento, seja ele qual for, e em seguida escrever sobre este. Digo isso, porque temos a impressão de que a equipe do jornal foi “muito bem tratada” pelo pecuarista relatado na matéria. Tanto, que temos a sensação de estarmos lendo um release, que é uma espécie de propaganda ou promoção indireta de algum lugar, empreendimento ou pessoa.
A ausência de fatos como dados concretos para embasar afirmações, tais como de que “a qualidade da pecuária parintinense continua e permanecerá por muito tempo no topo”, revela a falta de apuração da noticia, visto que  o repórter baseia-se apenas no fato de ter visitado duas fazendas dentre as inúmeras existentes na região e presenciado nestas uma boa infra-estrutura, que lhe permitiu o “achismo” de que a realidade dos outros pecuaristas é a mesma.
Caso seja para “achar”, eu também acho que o repórter e sua equipe ganharam uma boa quantidade de carne, leite e queijo do pecuarista para fazerem essa matéria, que como já disse, mais parece um release.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Relatos de uma descoberta


A matéria “Parintinenses Assustados”, escrita por Gleilson Medins na edição de 13 de março do Jornal Repórter Parintins, é muito mais um relato de como uma pessoa que tem parentes no Japão recebeu a noticia do terremoto do que um fato verdadeiramente noticioso.
“Parintinenses Assustados” é a descrição quase literal de como a empresária Erinilce Sakamoto recebeu a notícia do terremoto na costa nordeste do Japão. Grande parte da matéria conta como a empresária soube do fenômeno e como tentou entrar em contato com seus irmãos. No texto não consta muitos elementos que realmente informem algo sobre o terremoto, no entanto, a notícia talvez tenha sido escrita dessa maneira de propósito, para mostrar como quem tem parentes no Japão recebeu a notícia do tremor, o que de qualquer forma não atendeu o objetivo. A matéria poderia ter ouvido outras pessoas que passaram por essa mesma situação.
No começo da notícia Gleilson descreve o terremoto como tendo 8,9 pontos na escala Richter, mas não diz que escala é essa ou como ela é medida.  Ele também descreve o Japão como destino de parintinenses à procura de emprego desde a década de 1980, contudo, não menciona o fato de que desde bem antes de “Parintins” ir para o Japão, japoneses já imigravam para cá.
A matéria do Jornal Repórter Parintins não esclareceu muita coisa sobre o terremoto, mas buscou mostrar a situação específica das pessoas que tem parentes no Japão. Talvez o jornal tivesse conseguido aprofundar esse tema, caso não tivesse focado como apenas uma única pessoa teve conhecimento do terremoto.

Erik Bitencourt Ribeiro

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O mais pedido

 

           O jornal A Folha do Povo é um dos jornais de Parintins em que se percebe com mais facilidade a presença de propagandas políticas. Nota-se isso pelo fato de que o veículo possui, em sua grande maioria, notícias ou notas que têm como objetivo principal a persuasão do público leitor no sentido de votar em determinados políticos.
            Na edição do dia 18 de março de 2011 o jornal traz uma matéria que mostra a suposta ansiedade da população parintinense em ver Fernando Menezes participando ativamente da política local. Seja na prefeitura ou na câmara de vereadores.
            O enquadramento dado ao texto é de caráter propagandista, pois o periódico busca mostrar só as boas ações que Menezes faz, suas propostas, e o “anseio da população” por seu trabalho na política. Isso remete-nos à ideia de que o jornal vem “preparando o terreno” para Fernando desde as eleições 2010, visto que aquele pleito foi como uma forma de o povo conhecer mais quem é Fernando Menezes, para que em 2012 ele possa vir “com toda a força” na disputa para a prefeitura municipal.
            Percebe-se, além disso, a tentativa de fixar no leitor do jornal a imagem de que o político é uma pessoa do “povo”, pois cita-se, de forma ambulante, que Fernando Menezes  é  uma pessoa simples, compromissada com as demandas populares.
            Com esse texto, nota-se que as eleições de 2012 já começaram para o jornal A Folha do Povo, visto que em todas as suas edições o periódico ressalta e propagandeia os feitos de certos políticos da cidade.

Daniel Sicsú

quarta-feira, 23 de março de 2011

Fale e será a notícia!


Na edição do dia 16 de março de 2011, o Jornal Alvorada transmitido pelo rádio no horário das 12h tratou de diversos assuntos do município, como de costume, e dentre eles abordou o Ato Público promovido pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) motivado pela falta de Segurança Pública para os acadêmicos e para a comunidade próxima ao instituto.
Nas últimas semanas o índice de violência com os estudantes da UFAM tem se elevado de modo alarmante, o que fez ser necessário o Ato Público para esclarecer os fatos e exigir a iniciativa das autoridades do município.
Contudo, o que vem a ser destacado aqui é o fato do Jornal Alvorada, apesar de tornar público esses acontecimentos, não ter abordado o tema de forma noticiosa, mas apenas como depoimentos de seus entrevistados. Vale ressaltar que isso se repete em quase todas as notícias (se não em sua totalidade) que envolvem falas de entrevistados.
O que é notório no fazer jornalístico do JA é a falta de edição nas sonoras (fala dos entrevistados), pois em análise da notícia sobre o Ato Público constatamos que quando se ouve a sonora do entrevistado, que é de quase 2 minutos, fica evidente a notícia como forma declaratória. Ou seja, quem faz o jornal são praticamente os entrevistados.
Sendo esse procedimento corrente em demasia em todas as demais matérias analisadas que envolvem declarações dos entrevistados, chegando a ter sonoras com mais de 2 minutos, o programa acaba ficando cansativo. Por ser longo, o radiojornal deixa de ser interessante ao ouvinte.
Outra falha corrente no JA é o fechamento da matéria na sonora e a entrada para a matéria seguinte, sem nem voltar para a voz do repórter, sendo esse último recurso essencial para fazer a conclusão da notícia, direcionando o ouvinte.
O que ocorre também é o uso das sonoras como fala do repórter, ou seja, repete na sua passagem (fala do repórter) o que será dito mais adiante pelo entrevistado, caracterizando somente uma reprodução das falas. Confirma-se mais uma vez que é o entrevistado quem faz o jornal...

Hanne Assimen Caldas

terça-feira, 22 de março de 2011

Ele é “o cara”


            A edição do dia 13 de março de 2011 do jornal “Repórter Parintins” traz algo muito comum na imprensa parintinense: a camaradagem entre os diretores/donos dos veículos com os políticos da cidade. O favorecido pelo periódico é o deputado estadual Tony Medeiros (PSL).
            O texto inicia-se de forma contraditória, pois o título da notícia diz que o deputado “reúne com ministro Lobão”, enquanto no lide (parágrafo que contém as principais informações do texto) mostra-se que a reunião com o ministro é algo que poderá acontecer. Isso mostra que o veículo cria uma expectativa na população de Parintins que pode ir por “água abaixo”, pois foi agendado um acontecimento incerto.
            Outro fator determinante para identificar-se o favorecimento político no texto são as evidentes características de assessoria de imprensa, pois o objetivo maior da matéria não é informar, mas sim exaltar a ação do parlamentar.
            O rótulo dado a Medeiros é o de um herói dos municípios da margem direita do rio Amazonas, visto que é criada no leitor uma esperança de que ele conseguirá resolver a falta de energia elétrica nesses municípios. Além disso, o jornal mostra uma foto do político junto a algumas pessoas, evidenciando a imagem de um parlamentar que gostar de ouvir os anseios do povo.
            Nisso, nota-se que a matéria apresenta um declarado tom de propaganda política, pois utiliza-se apenas de duas fontes (o deputado Tony Medeiros, e uma cidadã de Boa Vista do Ramos). Como a intenção do periódico era a promoção do político, a outra fonte foi deixada “de escanteio”, mostrando que o povo não tem voz e nem vez nos meios de comunicação de Parintins.

Daniel Sicsú

sábado, 19 de março de 2011

Caindo numa furada

A edição de sexta-feira, dia 11 de março, do jornal Plantão Popular, traz na coluna “O outro olhar” o artigo BIG BROTHER BRASIL, fazendo uma severa crítica ao programa, com texto assinado por Luis Fernando Verissimo, escritor e jornalista.
A grande questão que permeia o artigo é que este, bastante difundido como se fosse de Verissimo, na verdade não é. O Jornalista é um cronista de humor e muitas vezes satírico, sempre buscando mostrar reflexões interessantes sobre uma diversidade de temas, dos quais o BBB não se aplica, pois para quem conhece um pouco do trabalho desse escritor, sabe que é um tema que ele leva muito pouco a sério - para merecer uma discussão em suas crônicas.
O editor de um jornal ao escolher o que vai ser publicado na edição, tem uma enorme quantidade de opções de escolha de suas matérias, seus repórteres, ele mesmo, reportagens especiais (matérias mandadas por outras pessoas), a internet e outros tantos.
Ao resolver transmitir algo da internet, precisamos ter muito cuidado com o que vai ser publicado, de onde vem e quem escreveu. Uma pesquisa um pouco mais aprofundada sobre Verissimo mostra vários comentários e discussões sobre o artigo aqui tratado, mostrando inúmeros fundamentos para mostrar que este artigo NÃO é de sua autoria.
A questão, caro leitor é sempre buscar saber quem e porque escreveu a matéria que você esta lendo, o jornal não diz a verdade certa, pronta e acabada. Discorde do que lê, pois informação nunca é demais. E para os editores de jornais, cuidado ao publicar artigos da internet e de nomes conhecidos para não cair numa furada.

Eis uma crônica do Verissimo para ter uma ideia de sua escrita:
Helder Ronan de Souza Mourão.

Só um lado da questão


O Jornal da Ilha publicou na edição de 14 de março mais uma noticia que faz propaganda explicita do poder público, o que caracteriza assessoria de imprensa. O assessor é aquele responsável por fazer a imagem de uma pessoa, empresa ou produto, de forma que este seja bem visto pelo publico.
Com o titulo “Comissão vai acompanhar caso da lixeira”, a noticia fala um pouco da comissão montada para acompanhar o caso da lixeira, baseada na fala de alguns vereadores, e da audiência publica do dia 25 de fevereiro, realizada com o intuito de debater a questão.
Como já sabemos que a noticia é claramente assessoria, vamos a alguns pontos que demonstram isso com mais clareza. A notícia baseia-se na fala de dois vereadores, Juliano Santana (Petro Velho), PDT e Nelson Campos, PRTB, ambos da base do prefeito, faltando então à opinião e o pronunciamento de alguém da oposição, que por ventura detenha um vereador na comissão montada.
Na boa noticia tem que haver a contradição de opiniões e a tentativa de fazer o leitor pensar sobre o assunto. Tratando-se da Câmara Municipal, qualquer tema é levado à discussão, em que sempre há opiniões contrárias e críticas, normalmente da oposição, mas a matéria citada demonstra enorme calmaria na apresentação do tema, já que as opiniões contrarias foram deixadas de lado. Assim, o texto vira simples propaganda do governo.
Outro erro comum, em jornais que pegam notícias de fora ou de assessores, é a falta de atenção em alguns pontos. Nesse caso especifico é a frase entre parênteses, no final do primeiro parágrafo, onde diz, “Na foto abaixo os técnicos políticos e promotor em visita a lixeira após a audiência”. O grande problema é não existir a foto referida, mas sim outra foto que não tem nada a ver com a frase. Isso só mostra que a notícia veio de outro lugar, e faltou atenção e revisão da matéria.

Helder Ronan de Souza Mourão.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Enfim jornalismo social


A notícia a ser analisada encontra-se no jornal Repórter Parintins, do dia 27 de fevereiro de 2011, na editoria cidade. Ao analisar tal notícia, intitulada “Habitantes das calçadas”, que trata de um assunto de caráter pouco visto nos jornais locais, que são os moradores de rua, percebemos o fato do olhar social debruçado sobre esta. Porém, elencamos algumas criticas construtivas é claro, que deixariam a matéria mais informativa.
            Primeiro, a questão do titulo que ficou um tanto incoerente, pois não se pode haver alguém “habitando” uma calçada, sem contar que, para um titulo se tornar mais impactante recomenda-se a utilização de um verbo, que expresse um ação realizada.
            Outro ponto foi o fato do repórter utilizar o apelido da fonte (o personagem principal da notícia) para retomá-lo, o que também não é recomendável. Em seguida, verifica-se o uso de informações do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a fome, entretanto, os referidos dados mostram-se um pouco ultrapassados, pois data de 2007. Se formos analisar que de 2007 para 2011 há um espaço de 4 anos, o que corresponde a um mandato presidencial, por exemplo, percebemos essa necessidade de números mais recentes.
            O repórter também poderia ter explorado mais o fato mostrado na linha de apoio do titulo, que falava da falta de trato do município com os moradores de rua. O texto poderia questionar ainda mais, por exemplo, a omissão de informações do poder publico sobre o caso.
            Com isso, a noticia ganharia mais, caso esse importantíssimo assunto fosse levantado na matéria. Porém, ainda assim, damos parabéns aos editores e ao repórter por terem se desvinculado das pautas tradicionais dos jornais parintinenses e prestado o devido serviço socializado que esperamos de um jornal.

Felipe Lopes