terça-feira, 18 de outubro de 2011

Típico julgador nato



Na edição número 899, referente à semana de 01 a 07 de outubro, o jornal Novo Horizonte, além de ter dedicado boa parte do espaço do jornal para parabenizar a rádio do Sistema Alvorada de Comunicação, trouxe também na editoria Cidade, página 3, uma notícia intitulada “Mulher solidária com marido viciado está na cadeia”. A matéria relata sobre o ato de uma mulher ter tentado jogar uma trouxinha de cocaína para dentro de uma das celas da delegacia de polícia, onde o marido dela está preso.
Para começar, o título da notícia está confuso, pois não se sabe ao certo quem está realmente na cadeia, se é o marido, a mulher ou os dois. Vale lembrar que o marido já estava na cadeia e que a mulher foi presa após ser flagrada tentando cometer esta infração.
Além disso, e o que chama mais atenção durante o relato do acontecimento, é que o repórter descreve uma narrativa espetacularizada, em que traça um perfil de condenação da vítima, pois o autor já começa o texto dessa forma: “Parece coisa de novela. A mulher da foto esconde o rosto envergonhada pela cena que protagonizou”. 
Depois de algumas poucas informações, o autor volta a fazer outras considerações, “Elas (a mulher estava com uma amiga) tentaram ser artistas de uma história real e por isso vão amargar um bom tempo na cadeia”. E não contentado ainda termina a “notícia” com suas considerações finais, “Pelas informações eles vieram de Manaus para vender drogas, mas se deram mal”.
O que é isso? Qual é mesmo o papel social de um repórter? Pois é, o papel de um repórter é reportar (relatar/narrar) um fato, e não julgar, condenar, espetacularizar as vítimas envolvidas em um acontecimento.
Portanto, mais uma vez o jornalismo comprometido com a verdade e onde diz ser imparcial mostrou ser um juiz nato e integralmente parcial sobre o que reporta. Desse modo, deixando a desejar na forma de transmitir as informações por uma perspectiva do Jornalismo que seja uma forma social de conhecimento comprometida com o público.
 
 
Hanne Caldas

domingo, 16 de outubro de 2011

Abordagem "macabra"




O Plantão Popular de 11 de setembro de 2011 usou novamente o recurso do sensacionalismo em sua publicação sobre um incidente ocorrido na noite de 9 de outubro. Para início de análise, o jornal publica a seguinte manchete: “Golpe de terçado decepa mão e um dedo de Jovem”, título que desperta a atenção pelo impressionismo. Logicamente a intenção de todos os jornais é fisgar o leitor, mas é certo que o PP usou de forma inusitada o ocorrido na noite daquele domingo.
O texto da noticia é somente um relato do que aconteceu naquela noite, com alguns depoimentos e um Box com as seguintes informações: “Madrugada sangrenta deixa um irmão sem a mão esquerda e outro com perna quebrada”. A foto da matéria mostra o jovem que perdeu a mão deitado no leito do hospital, expondo-o de forma desnecessária. Ao lado da foto há a chamada “Mão enterrada no cemitério”, que, em um texto muito inesperado, é a continuação do primeiro relato. As fontes usadas são “a tia” da vitima e um psicólogo. A tia relata o que aconteceu com a mão decepada que primeiro foi colocada “num copão de cerveja com gelo para ser encaminhado ao hospital” e depois foi enterrada.
Observa-se que o jornal insiste em continuar com o velho habito de publicar noticias sensacionalistas para chamar a atenção do público. O jornal Plantão Popular não é o único, e nem será o ultimo a trazer publicações como essa (infelizmente). Os aspectos fantásticos dos fatos parecem se sobrepor às dimensões sociais da questão da violência na Ilha, algo que poderia ser bem melhor abordado na cobertura desse tema.

Tuanny Dutra

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Comunicação medieval em Parintins: o Sistema Alvorada na era das trevas




“O lixo resplandece quando o sol pode brilhar” (Goethe)
O fato é o seguinte: a discente do curso de Jornalismo da UFAM  Hanne Caldas está desenvolvendo uma pesquisa de iniciação científica denominada “Análise da mídia em Parintins: agendamento e enquadramento dos temas saúde e maternidade no jornal Novo Horizonte”. O projeto faz parte do programa PIBIC e a bolsista conta com apoio da Fundação do Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM). Fundamental a sua pesquisa é o acesso a algumas edições antigas do referido jornal impresso, um dos produtos do Sistema Alvorada de Comunicação. Como orientador, e sabendo da política do grupo midiático em permitir acesso ao seu acervo, encaminhei um ofício solicitando a consulta aos periódicos.
Hoje, depois de ser alvejada por criticas e maus-tratos direcionadas pelo responsável do acervo e pela chefe das “finanças” do grupo midiático, a discente teve seu pedido negado. O ofício institucional da UFAM sequer foi respondido. O argumento usado pelos católicos profissionais foi que ela só poderia obter as edições do grupo caso fizesse uma pesquisa “chapa-branca”, que não criticasse o veículo. O motivo da resistência do Sistema em contribuir com a pesquisa científica em Parintins foi a existência do Lacrima, pois nosso blog questionava a prática jornalística dos veículos da Alvorada. Após esculacharem o projeto de Hanne, os emissários de dona Raimunda Ribeiro disseram se sentir ofendidos com o ensaio sobre a edição do Novo Horizonte que trata dos 44 anos da rádio Alvorada.
Acostumada com decisões autoritárias, pois como dissemos, exerce o papel de gatekeeper desde que passou de beata à cidadã Kane da Ilha Tupinambarana, a chefe Raimunda decidiu que Hanne não iria obter de bom grado os jornais que precisa analisar em sua pesquisa. A discente poderia obtê-los apenas se pagasse as ediçõe$ e pesquisasse seu tema longe da emissora. Os cães-de-guarda de Dona Raimunda afirmaram até mesmo que era um erro os jornalistas da emissora cursarem Jornalismo na UFAM, pressupondo que eles nada aprenderiam nos corredores do ICSEZ. Sabemos de inúmeras matérias relevantes para a população parintinense censuradas por ela. Não abordaremos quais para manter segura nossa fonte.
Parte importante da pesquisa de Hanne seria o acompanhamento das rotinas produtivas, algo que os poderosos do concentrado midiático já impossibilitaram de antemão. Não acostumados a receberem críticas, e sem entender a comunicação como um serviço público que merece ser fiscalizado, a ignorância travestida de arrogância quebra a relação do veículo com a Universidade, desconsiderando o trabalho intelectual desenvolvido nessa instituição recém-chegada em Parintins.
A Igreja Católica - que já teve um importante papel na formação de sujeitos e na politização da sociedade, nos tempos em que alguns corajosos teólogos da libertação ousaram compreender o verdadeiro sentido do evangelho - aqui em Parintins permanece na Idade Média, período histórico em que o catolicismo escondia os avanços no campo do conhecimento e assassinava milhares de pessoas que ousavam erguer a cabeça frente seus ditames. Aliançada politicamente com o poder dominante, vivendo de afagos aos poderosos, controlando a informação em função de princípios capitalistas e patriarcais, o Sistema Alvorada agora decide perseguir o conhecimento científico. Felizmente o tempo das fogueiras se foi, mas os dedos em riste na face de nossa estudante não sairão de nossas memórias facilmente. O grupo não quer encarar críticas bem-fundamentadas (quase seis mil parintinenses já leram os ensaios do Lacrima) e decide se fechar para a possibilidade de rever suas práticas. A humildade que prega para a população parintinense, com suas lições morais fantasiosas e exaltação à passividade, passa longe de sua prática real. Torçamos para que os profissionais que ali trabalham ignorem as opiniões arcaicas de seus patrões, esqueçam falsas gratidões e decidam continuar a buscar conhecimentos que transcendam a mediocridade, camuflada de sucesso profissional, vomitada diariamente nos veículos do grupo. Continuaremos de olho.

Msc. Rafael Bellan Rodrigues de Souza
Docente do ICSEZ/UFAM
Coordenador do Lacrima

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Fortaleza insubstituível?

Na edição nº 899, referente à semana de 01 a 07 de outubro, o jornal Novo Horizonte, como já foi dito em outros ensaios, resolveu dedicar boa parte do espaço do jornal para parabenizar a Rádio Alvorada, a qual completou 44 anos. E dentre as várias notícias de comemoração há uma intitulada “A mulher da comunicação” que fala sobre a administradora da rádio, Raimunda Ribeiro da Silva.
Esta não é especificamente uma notícia, trata-se de algumas informações seguidas de uma entrevista com a fonte. Mas o que é interessante observar é o modo como a personagem é colocada durante o relato, pois o autor exalta a editora, como na parte em que cita: “Dona Raimunda, (...), ao longo dos anos vivenciou batalhas que nem o mais forte guerreiro com escudo e espada nas mãos conseguiu enfrentar. Foi ela quem peitou o militarismo não deixando a rádio Alvorada ser censurada...”, ou seja, apresenta ela como se fosse uma espécie de fortaleza desse veículo. Então o que será da rádio quando a senhora Raimunda da Silva não puder mais estar na dianteira do veículo?
O título também faz lembrar um outro fator que implica na forma como é desenvolvido o trabalho jornalístico, que é a figura do gatekeeper ou selecionador, o qual desenvolve o papel de crivar (selecionar) assuntos que são pautados com a finalidade de serem transmitidos ao público. E a partir do título posto, dá a entender que é ela quem exerce a função de gatekeeper da Rádio.
Outro fator a ser observado no relato é quando o autor cita: “Nestes 44 anos da Rádio Alvorada, ela concedeu uma entrevista exclusiva ao NH...”. Creio que aí haja um equívoco, pois se Raimunda da Silva é administradora da Rádio, fazendo parte do Sistema Alvorada de Comunicação que é composto pelos veículos: TV, rádio, impresso e web, por que essa entrevista é exclusiva para a própria empresa em que atua? É como se o jornal impresso estivesse dando um furo (ser o primeiro a mostrar ao público sobre o assunto). Só que dizer que a entrevista é exclusiva faz pensarmos que outra empresa jornalística iria se preocupar em reportar e parabenizar os 44 anos de concorrência. Algo que não parece plausível.
Para finalizar, não creio que o aniversário da rádio seja um assunto que consiga sobrepujar os acontecimentos mais importantes que ocorrem na cidade e que realmente precisam de um bom espaço no jornal para serem discutidos e mostrados ao público. Portanto, que este ensaio possa servir de reflexão para todos os comunicadores e leitores deste blog, a fim de se pensar em como fazer um jornalismo diferente desse modelo, que já mostra evidentes sinais de cansaço.

Hanne Caldas

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Para bom entendedor a fonte basta?



 
Na edição do dia 01 de outubro, sábado, o jornal Plantão Popular traz uma  notícia intitulada “Atletas querem medalhas do JEBs”.
A notícia trata dos atletas parintinenses que foram campeões no JEAs - Jogos Escolares do Amazonas, e que agora treinam forte para os Jogos Escolares de Parintins. Só que tem uma sigla que aparece durante toda a narrativa e em nenhum momento é explicado o significado. Na notícia, a sigla JEBs aparece durante seis vezes e de duas formas diferentes: Je’Bs e JEBs.
Mas, enfim, o que significa JEBs? Simples, nada mais do que Jogos Escolares Brasileiros, que ocorrerá no mês de dezembro em Londrina, no estado do Paraná. É isso que estes atletas parintinenses campeões almejam como uma próxima etapa no esporte que desenvolvem.
É interessante observar que durante o relato de uma das fontes (Eduardo de Souza), este fala que “é uma competição importante porque reune atletas de todo o Brasil e é uma porta aberta para as competições sulamericanas”; será por isso que o autor não explicou ao leitor o que significa JEBs? Bem, do dito pelo não dito, é sempre complicado deixar a explicação das informações por conta das fontes. Portanto, não custava nada esclarecer ao leitor sobre esta simples informação, não é?
Hanne Caldas

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Concreto sentimental



Na edição de 29 de setembro, quinta-feira, do jornal Plantão Popular, na seção denominada “O outro olhar”, foi publicado uma foto de um muro da cidade em condições de desabamento, seguido da seguinte legenda “O muro agoniza, enquanto os políticos se digladiam pelo poder”. Porém, essa seção não situa minimamente o leitor sobre o local de onde foi extraída a imagem, até porque em nenhum momento o jornal traz notícias referentes ao assunto.
 A ideia que o autor quis passar com certeza foi a melhor possível, pois há uma polêmica sobre o atual cenário político e social da cidade, mas as palavras utilizadas para caracterizar o muro infelizmente não são as mais cabíveis ao momento.
Reparem: ele utiliza o termo “agonizar” para definir as condições do muro, onde dá a entender que se trata de um ente vivo, um ser que está prestes a morrer, mas luta até o fim.
Creio que para dar sentido a esta frase, poderiam ter sido utilizadas palavras como demolido, depredado, arruinado, destruído, enfim, qualquer um dos sinônimos que caracterize as condições reais do muro e não apenas expressões metafóricas para algo não vivo, que não tem sentimentos. Portanto, este termo trata-se, e fica bem melhor utilizado, para se referir a seres, principalmente animais (racionais e irracionais), aos quais são passíveis de verdadeira agonia. Nesse sentido a legenda não consegue nem efeito informativo (por falta de aprofundamento), nem efeito poético.

Hanne Caldas

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tudo é festa em Parintins?


 
A rádio Alvorada de comunicação completou 44 anos de existência no dia primeiro de outubro. O jornal Novo Horizonte, jornal impresso do Sistema Alvorada de Comunicação, trouxe na capa da edição de nº899, várias fotos da rádio, das pessoas que trabalham e teve como manchete “PARABÉNS ALVORADA!”.
O que era de se esperar, o jornal impresso trouxe na maioria de suas páginas matérias, entrevistas e depoimentos sobre o “fundamental” papel da rádio Alvorada em Parintins. Por ser um jornal semanal, o Novo Horizonte teria pauta suficiente para fazer matérias pertinentes aos interesses de toda população.
Será que nada, além do aniversário da rádio aconteceu em Parintins?
Será que o aniversário da Rádio é de interesse público? Valeu à pena excluir assuntos do cotidiano de Parintins para que se colocasse em evidência o aniversário da “Rádio comprometida com a verdade”, da “Voz que a Amazônia escuta”?
É claro que a Rádio, por ser uma das integrantes do Sistema Alvorada de Comunicação deveria ser mencionada, mas com cautela e brevidade. Segundo Nilton Hernandes, 2006 “o jornal deve convencer de que é ‘completo’, realiza uma eficaz triagem e organização da realidade na qual o leitor se insere e se apresenta de maneira clara, possibilitando prazeres e um consumo fácil e eficiente...”.
O Jornal Novo Horizonte não veio ‘completo’, faltaram mais notícias sobre o município, cabe ressaltar que a verdade de Parintins não se define aos 44 anos da Rádio.

Yasmin Cardoso

HERNANDES, Nilton. A mídia e seus truques: o que o jornal, revista, TV, rádio e internet fazem para captar e manter a atenção do público. São Paulo: Contexto, 2006.

domingo, 2 de outubro de 2011

“Vamos citar!”


            O uso exagerado de citações em matérias feitas por jornais de Parintins é algo muito constante. Indo de acordo com esse “costume”, o jornal Plantão Popular publicou uma matéria em sua edição do dia 24 de setembro que aborda o desaparecimento de um rapaz ocorrido no dia 23 de abril de 2011.
            A matéria é iniciada de maneira confusa, afinal o texto não possui o chamado lide (parágrafo que contem as principais informações em um texto jornalístico). Nisso, a notícia fica um tanto vaga, pois faltam informações que no decorrer do texto seriam abordadas de forma mais aprofundada.
            Outro problema evidente é a presença, em mais da metade da notícia, de citações da fonte consultada. Isso nos remete a ideia de que o autor do texto o fez às pressas, pois o que é mais notado na matéria é a ampliada presença de citações, deixando a entender que tudo foi feito “na correria”.
            Além do uso excessivo de citações, a matéria se utiliza mais de uma fonte do que da outra, fazendo com que uma visão se sobreponha. A fonte que é mais evidenciada é o pai do desaparecido, colocando “de lado” o delegado da Polícia Civil de Parintins.
            Essas práticas fazem com que criemos um pensamento de que não há revisores nos jornais de Parintins, visto que há erros simples de serem corrigidos e mesmo assim são deixados de lado. Porém, uma coisa tem de ser ressaltada: o veículo concedeu espaço para divulgar informações sobre uma pessoa desaparecida. Essa atitude poderia ser mais frequente nos jornais, já que se trata de um importante serviço de utilidade pública.

Daniel Sicsú