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| Seria Parintins a Ilha da Fantasia? |
Na edição nº 902, da semana de 22 a 28 de outubro, o jornal Novo Horizonte trouxe na editoria Cidade, página 4, uma notícia intitulada “Bi Garcia recebe prêmio na Alemanha” que relata sobre a ida do prefeito à cidade de Colônia, na Alemanha, para receber o prêmio na 17ª edição do “Meeting City Dinamics World 2011”.
No primeiro parágrafo, a notícia relata: “O prefeito Bi Garcia viaja neste próximo final de semana para a Alemanha onde vai receber o prêmio modelo de gestão pública pela integração e resgate da máquina administrativa, por ter conseguido em sua gestão como prefeito, incluir Parintins entre as 300 cidades mais dinâmicas do mundo.”
É importante questionar duas colocações dentro deste pequeno trecho: a primeira que afirma a existência de um “resgate da máquina administrativa”, pois fornece o sentido de que a “máquina administrativa” tenha sido roubada, sequestrada, ou algo parecido, já que ela foi “resgatada”, segundo consta o texto. Ainda sobre isso, é válido verificar que o jornal não explica ao leitor o que significa o termo “máquina administrativa”.
Outro ponto importante é a inclusão de Parintins entre as 300 cidades mais dinâmicas do mundo. Mas afinal, o que é ser uma cidade dinâmica? O que a torna dinâmica? Ela se mexe, sai do lugar, é flexível, se movimenta, cresce pra algum lado? Em nenhum momento, quando se fala que Parintins é uma cidade dinâmica, o jornal traz explicações fundamentadas do que seja, nesse sentido, ser cidade dinâmica.
Vale lembrar que na cidade o que mais se ouve e se vê é propaganda com o slogan “De Parintins para o mundo ver”, é sempre a mesma visão de que a cidade é maravilhosa, que está tudo muito bem, que é o melhor município, e que tem sempre a melhor educação, melhor saúde, melhor e sempre melhor em tudo. Mas nunca mostram a verdadeira realidade da Ilha, pois só é viver para ver, a educação é baixissima, a saúde pior ainda, a segurança se afogou no rio que passa na frente da cidade, entre tantos outros problemas que precisam ser pensados para melhorar o cenário real que boa parte da população da cidade vivencia diariamente com muito pesar. Será que são esses problemas que caracterizam ser uma cidade dinâmica? E ainda, o que a população pensa sobre morar numa cidade dinâmica?
Afinal, o que se analisa sobre isso é a existência da constante autopropaganda do poder político em voga - pois muito se fala, mas pouquíssimo se evidência nesses textos sobre o verdadeiro cotidiano do parintinense.
Hanne Assimen