segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Porque não, oras!


A edição de 24 a 30 de Dezembro do Jornal Novo Horizonte trouxe, na seção Cidade, a notícia intitulada “Situação e oposição concordam em 30% no remanejamento”. A matéria trata do remanejamento do orçamento municipal para o ano de 2012, no qual a bancada da situação pedia 40% e a oposição preferia 20%. Ao final, o reajuste ficou em 30%, meio termo entre as duas bancadas.
O que chama atenção na notícia é o fundamento apresentado no jornal para que a oposição não aceitasse os 40% de reajuste, que diz assim: “Para a oposição isso significou uma vitória, porque não permitiu o valor apresentado pelo prefeito”. Com isso, e por algum motivo, o jornal não mostrou (ou mesmo coletou) dos vereadores da oposição, algum fundamento para a negação da proposta da base aliada à prefeitura.

Helder Mourão

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sensacionalismo ou desconhecimento?




Na edição de número dois, de 22 de dezembro de 2011, o jornal Gazeta Parintins trouxe uma notícia intitulada “Imprudência gera mais vítimas”, que relata um acidente de trânsito que deixou um jovem com a perna esquerda fraturada e escoriações por todo o corpo.
Contudo, o que chama atenção na notícia é a foto utilizada, pois trata-se de uma imagem da vítima no leito do hospital. Uma foto um tanto impactante para atrair a atenção do leitor.
Outra edição analisada foi a de número três, 26 de dezembro, que traz como manchete a notícia “Jovem esfaqueado no rosto escapa da morte”. Mas o que chama atenção do leitor nesta matéria também é a imagem utilizada, pois, mais uma vez o jornal utilizou uma foto inadequada, ou seja, mostra uma foto bem de perto da vítima com os pontos no rosto. Ainda na capa mostra também uma radiografia do crânio com a faca cravada.
Além dessas imagens na capa, na notícia sobre o acontecimento intitulada “Serralheiro escapa da morte”, o jornal apresenta também uma foto da vítima Joelson Silva e Silva no leito do hospital.
As imagens despertam atenção imediata e provoca impacto nas pessoas, mas o difícil é encontrar um sentido jornalístico para estas fotos, pois o que fica perceptível é o sensacionalismo e a espetacularização das vítimas estampadas para impressionar o público.
Recomenda-se ao jornal que não utilize imagens sensacionalistas e que espetacularizem os cidadãos, pois se deve levar em consideração a conservação da imagem dessas pessoas que sofrem algum tipo de agressão e que, muitas vezes, acabam indo parar nas capas de jornais como atrativos para o público.

Hanne Caldas

Uma ressalva

Na edição número três, do dia 26 de dezembro de 2011, o jornal Gazeta Parintins trouxe na página 03, uma reportagem intitulada “Procura do pescado diminui nas feiras”.
A reportagem explica a queda na venda e nos preços dos peixes durante a época natalina, e também sobre os peixes que são vendidos nessa época, quem são as pessoas que procuram, a falta de um local adequado para a venda do pescado, higiene etc.
Além disso, a reportagem traz também uma foto da feira de pescado que fica localizada próxima à ponte do bairro Paulo Corrêa, seguida com a legenda “Joselito levou proposta à Brasília”, isto é, a legenda não condiz em nada com a foto, pois se trata da legenda da foto da edição anterior, que era a notícia “Moção criada por parintinense encaminhada à presidente Dilma”.
Portanto, fica a dica: é sempre importante fazer uma boa revisão de todo o jornal antes de enviar para impressão, para que não continue havendo esses pequenos desencontros de informações.

Hanne Caldas

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Seja bem-vindo!




Entra em circulação no município de Parintins mais um jornal impresso, chamado Gazeta Parintins, com produção de edições que saem duas vezes na semana, segunda e quinta-feira. O jornal é vendido por um preço acessível e começou a circular no dia 19 de dezembro de 2011.
Fazendo uma análise geral e ampla do veículo, é possível inferir que se trata de uma proposta que pretende trazer um diferencial para o público parintinense, pois analisando o editorial da primeira edição é possível encontrar traços dessa afirmativa.
O jornal cita que “...tem o objetivo principal de levar a você a informação e o dialogo de uma forma transparente com um olhar critico...”. Agora, só resta esperar as próximas edições e verificar este compromisso de diálogo transparente com olhar crítico, como o próprio jornal achou conveniente nesta colocação.
No trecho do terceiro parágrafo está: “Desejamos que você seja um colaborador de ideias, um porta-voz dos fatos...”. E também no quarto parágrafo: “Estamos aqui para servi-los da forma correta e verdadeira que um meio de comunicação pode oferecer a população...”. Ou seja, com estas palavras o leitor pode concluir que este jornal será um espaço diferente dos demais, em que realmente poderá ler conteúdos com cunho crítico e até mesmo escrever para o periódico com um olhar crítico sobre as questões que se apresentam na sociedade.
Neste sentido, oferecemos as boas vindas ao novo veículo impresso parintinense, que a proposta inicial possa conseguir alcançar seus objetivos e que realmente possa ser um ambiente democrático para toda a população a fim de torná-lo um espaço de emancipação, capaz de fornecer conhecimentos para todos os públicos.

Hanne Caldas

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O amor não previne AIDS e o desejo não é sua causa

imagem por Andreas Smetana



Na edição nº 908, referente à semana de 3 a 9 de dezembro de 2011, o jornal Novo Horizonte trouxe como chamada principal de capa a notícia intitulada “250 Casos de AIDS em Parintins”. Logo, o editorial desta edição também foi voltado para a temática da doença e sua proliferação no município, o qual estava intitulado “AIDS”, escrito em cor branca numa faixa preta e logo abaixo escrito “Vergonha, medo, preconceito...”.
De fato, trata-se de uma abordagem importante sobre o tema, pois explicita alguns dos fatores como o preconceito, a incerteza, a vergonha etc., que ainda pesam sobre os cidadãos parintinenses para fazerem os exames e até mesmo conviverem com a doença.
Por outro lado, o jornal apresenta um trecho que diz: “É preciso cuidado! Uma relação sexual não é algo fruto simplesmente do desejo. Não é um momento feito, unicamente, para o prazer. É algo que se constrói a dois, que se faz com confiança e segurança”.
Nestas palavras consta uma ideia que está implícita, a ideologia cristã, pois sugere juízo defensor de que o sexo, quando é feito entre duas pessoas que se amam, estas estão livres de contrair a Aids ou qualquer outra DST. E que essas doenças só estão no âmbito da libertinagem, como se fosse um modo de Deus punir essas criaturas que não querem nada sério com ninguém, mas apenas o prazer.
Outra colocação é o fato do sexo ser construído a dois e feito com confiança e segurança, pois o jornal há de refletir também que nunca esteve e nunca vai estar escrito na testa de ninguém se a pessoa é ou não portadora de uma DST e, portanto, no momento do afã sexual poucas são as pessoas que param para pensar nas consequências, mas querem a satisfação, o prazer sexual.
Além do editorial, há também a chamada de capa que é uma notícia presente na editoria Cidade, p. 7, intitulada “Parintins tem 250 casos positivos de HIV”. A notícia em seu contexto está bem desenvolvida, pois traz dados importantes para informar e situar o leitor, como números de casos positivos de HIV na cidade, os fatores que inibem os cidadãos a fazerem o exame, onde fazê-lo etc. Porém, durante toda a leitura, em nenhum momento, é explicitado de onde foram retirados os dados apresentados na matéria, fato este que repassa incerteza ao leitor quanto à credibilidade das informações.

Hanne Caldas

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Título sem dono e um equívoco


A edição nº 81 de 11 de dezembro do jornal Repórter Parintins traz a primeira página da editoria Cidade dedicada ao tema Aids, com uma notícia intitulada ““Parintins está vivendo o momento de Aids””.
Trata-se de uma notícia que transmite informações sobre a proliferação dos casos de Aids na cidade de Parintins nos últimos onze anos. Além disso, traz informações também sobre o dia 1º de dezembro, classificado como Dia Mundial Contra o Vírus HIV-Aids.
Mas, dentro de todo o contexto da notícia, observa-se uma falha, que é a falta de indicação de quem pronunciou o título (“Parintins está vivendo o momento de Aids”), o qual vale lembrar está escrito entre aspas, o que caracteriza uma citação de alguém. Somente depois de ler o terceiro parágrafo da notícia é que se descobre quem falou a frase explícita no título inicial, a enfermeira Ivanira Pimentel, da Casa Padre Vitorio Giurin, responsável pelo tratamento da doença em Parintins.
Portanto, é importante que o jornal, toda vez que trouxer títulos entre aspas identifique logo os autores das falas. Assim, com certeza, passará mais confiança ao leitor e alcançará maior credibilidade nas informações prestadas.
Outro dado que consta na notícia é uma tabela que traz informações sobre “Pessoas infectadas em Parintins (HIV)” e “Pessoas mortas em Parintins (Aids)”. No mesmo quadro, logo abaixo o jornal mostra uma outra tabela denominada “Infectados no Brasil, entre  1980 a 2011, de 15 a 24 anos”. E após esta última tabela vem a legenda “TABELA Mostra o quadro da Aids em Parintins em onze anos”, isto é, tudo indica que esta legenda encontra-se posicionada no lugar errado, pois ela corresponde a primeira e não à última tabela de informações. Ou seja, o que mostra mais uma vez que houve a troca de informações e isso faz com que o leitor fique confuso ou até mesmo obtenha informações equivocadas.

Hanne Caldas

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Politica pública não é presente




“A comunicação está no âmago da atividade prática coletiva, da produção social do conhecimento que emana dessa atividade e, ao mesmo tempo, a pressupõe. Portanto, está no âmago da produção histórica da sociedade e da autoprodução humana” (GENRO FILHO, 1987. p.126).


A edição de 27 de Novembro do Jornal da Ilha e a de 26 de Novembro a 2 de Dezembro do Novo Horizonte, trouxeram, ambas, uma mesma notícia com um enquadramento tendencioso e contraditório.
No Jornal da Ilha, a notícia intitula-se “Centro de Costura Dona Cota: Um presente para as futuras gerações”. No Novo Horizonte, a notícia traz o título “Um presente para as futuras gerações” e põe como chapéu[1]: “Centro de Costura Dona Cota”. Esse chapéu vem com as palavras em branco, com o fundo preto e, como Rafael Silva (1985) nos mostra, “O branco sobre o preto exprime um efeito negativo”. Um evidente problema de diagramação na tentativa de embelezar a notícia.
Claramente vemos que o jornal passa a ideia de que a obra é um presente, algo que traz enorme problema para o entendimento dos leitores, pois se trata de uma politica pública que, no mínimo, deve ser vista como uma obrigação da administração pública. As obras do poder público não são presentes, nem favores. Cada obra é fruto da arrecadação de impostos que devem ser aplicados às necessidades da população. Disso tiramos que: ou os jornais tem atrelamento com o poder público e fizeram essa propaganda de propósito ou foi um erro de compreensão da questão ao fazer a notícia. Gostaria da resposta dos jornais sobre essa pergunta, aqui no blog, em nossos comentários.
Outro ponto que deve ser tratado é que ambos os jornais publicaram a mesma notícia e, no Novo Horizonte, com alguns cortes em função do espaço. O NH deixou claro que a notícia é de autoria da Assessoria de Comunicação da prefeitura, já o Jornal da Ilha não o fez, passando a ideia de que a notícia do Jornal da Ilha foi feita pelo próprio jornal. O problema é que a Assessoria de Comunicação tem o claro e explicito objetivo de fazer a propaganda da prefeitura e com isso a notícia fica, no mínimo, duvidosa e apurada para esse intuito, a divulgação apologética.
Mas, não é por dizer que a notícia é da Assessoria de Comunicação que o NH se salva disso, vamos ver por que.


A função do release
Na comunicação e no jornalismo, existe o que chamamos de release. O release é um texto feito sobre os moldes de um texto jornalístico, mas com uma diferença básica: é feito por profissionais de uma empresa e fala sobre a firma. Lorenzon e Mawakdiye dizem que “O release (...) agrega valor às notícias e ao atendimento, ajuda a construir a imagem do cliente (empresa ou pessoa) e a criar fontes confiáveis e especializadas.” (2002, p.38).
Com isso percebemos que o objetivo do release é construir a imagem de seu cliente, o que sempre ocorrerá para o lado bom da coisa, em um release meu, por exemplo, vocês nunca vão ver informações ruins sobre o Lacrima, é lógico.
Aí dizem, “vocês do Lacrima só criticam a gente e nunca dão sugestões.”. SUGESTÃO: Releases devem ser lidos e usados como pontapé inicial para o jornalista ir atrás da notícia. Se o jornalista tem o papel de informar o público e mostrar os diversos lados da questão, atribuindo a importância na notícia de acordo com a necessidade do leitor, o release é a informação que tem sua importância não para o público, mas para sua empresa.
Deixo a análise do texto da notícia para nossos leitores, que podem comentar aqui depois.

Helder Mourão


REFERENCIAS:
SILVA, Rafael Souza. Diagramação: O Planejamento Visual Gráfico na Comunicação Impressa. São Paulo, Summus. 1985.
LORENZO, Gilberto; MAWAKDIYE, Alberto. Manual de Assessoria de Imprensa: Campos do Jordão: ed. Mantiqueira, 2002.


[1] Duas ou três palavras que identifiquem de modo geral o tema da notícia.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Conta aí, vigia!



A Edição de 11 de dezembro de 2011 do jornal “Acrítica” traz uma notícia intitulada “Ruas bloqueadas”. A reportagem tenta mostrar ao leitor a proliferação de “condomínios forçados” em Manaus e ao mesmo tempo aponta dados de uma possível redução da criminalidade por conta disso.
Inicialmente a reportagem dá ênfase à quantidade de ruas em Manaus que estão sendo tomadas por correntes, cancelas e guaritas de segurança particular (vigias), tudo isso como reflexo da sensação de insegurança e do medo de assaltos por parte dos moradores.
Contudo, ao visitar os conjuntos Jardim Sakura, Jardim Oriente e Flamboyant, locais em que se encontra esse tipo de situação, a principal fonte usada para comprovar a redução da criminalidade nos “condomínios forçados” foram os vigias, que logicamente disseram não haver NENHUM assalto nos respectivos conjuntos.  Cá entre nós, estranho seria se os próprios vigias dissessem que durante seu período de trabalho tinham sido assaltadas trinta ou quarenta casas não é?
O ideal seria que Florêncio Mesquita (responsável pela matéria) usasse os moradores dos conjuntos citados acima como a principal fonte de pesquisa, para só assim, então, afirmar uma possível redução na criminalidade. Dados como estes apresentados na matéria, causam desconfiança por parte do leitor e podem com certeza influenciar a veracidade dos fatos.
Enfim, o que se pede ao jornal é mais credibilidade nos dados repassados ao leitor, com informações concretas, claras e o mais confiáveis possíveis.

Indira Santos (especial para o Lacrima)