terça-feira, 13 de março de 2012

Erros ortográficos e seleção das notícias comprometem edição


“Cheia deixa Parintins de alerta” é a chamada do Jornal da Ilha, em edição veiculada no dia quatro de março de 2012, para informar os percalços causados pela enchente deste ano. O uso da preposição “de” não está de acordo com a concordância da oração. “Preposição é uma palavra invariável que estabelece relação entre termos de uma mesma oração (liga palavras entre si)” (MAZZAROTTO, 2003 p.312). A preposição “DE” é denominada essencial e deve ser empregada sempre que for conveniente ao contexto da oração. A forma mais adequada seria essa: “CHEIA DEIXA PARINTINS EM ALERTA”.
Outro fato curioso a ser analisado na edição de número 318 é o critério de noticiabilidade. Observa-se que a edição não busca escolher os elementos de interesse da notícia. Falar do ex-senador Arthur Virgílio Neto até permitiria uma foto com legenda na coluna social, mas mostrar matéria em que trata de sua volta de Portugal e os agradecimentos ao povo pela hospitalidade... Qual o interesse do parintinense em saber de todos esses detalhes? Será que não está acontecendo nada na cidade que possa ser considerado como interesse da maioria?  Critérios como proximidade, significância, não estão de acordo com algumas matérias veiculadas na edição.
Além disso, eu digo a vocês, o Jornal da Ilha utilizou os comandos Ctrl C Ctrl V (copiar e colar) em uma matéria da revista Veja que fala do best-seller alemão Tchic. A resenha escrita por Bruno Meier sobre o livro ocupou mais de um quarto da página. É importante o jornal dar espaço para divulgar lançamentos e etc, porém se a resenha fosse feita por um integrante do jornal, isso com certeza deixaria o periódico com mais credibilidade junto a comunidade.

Evelyn Pessoa


quarta-feira, 7 de março de 2012

Precisa-se de mais fontes


A edição do Jornal Novo Horizonte referente à semana de 25/02- 02/03 trouxe uma matéria intitulada “Justiça manda família desocupar terreno no Macurany”. A notícia fala sobre uma desocupação de propriedade, onde os residentes moravam há cerca de 60 anos.
Ao ler o texto percebe-se que a família que teve que sair do local estava indignada, pois tinham os documentos do terreno. Mesmo assim a juíza deu ganho de causa ao requerente. O que fica confuso na matéria é o fato de o repórter não explicar o porquê dos moradores terem sido expulsos, já que possuíam a documentação do local.
É visível que o jornalista fez uma abordagem humanizadora no texto, só que faltou mais esclarecimento para que os leitores conseguissem entender o que de fato motivou o despejo.
Outro ponto falho é a consulta das fontes, pois ao longo de toda a notícia o jornalista coloca apenas o depoimento da dona da casa e do advogado do requerente.  É um jogo de falas de acusação e de defesa, que não exemplificavam melhor o ocorrido. Há outros personagens que poderiam ter sido consultados, pois são citados no texto. Tem a figura do oficial de justiça – que poderia ter esclarecido melhor o que aconteceu; há os policiais militares que ajudaram na ação, e mais 19 pessoas que moravam no lugar.
A falta de consulta de mais fontes jornalísticas[1] prejudica o desenvolvimento do texto e, por conseguinte, o entendimento do leitor. Essa não é uma particularidade do Jornal Novo Horizonte, os jornais impressos da Ilha costumam, quase sempre, fazer o mesmo.

Yasmin Cardoso

Referências:

SOUSA, Jorge Pedro. Elementos do Jornalismo Impresso. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2001.


[1] Toda e qualquer entidade que possua dados susceptíveis de ser usados pelo jornalista no seu exercício profissional pode ser considerada uma fonte de informação. Existem, assim, vários tipos de fontes: humanas, documentais, eletrônicas, etc. (SOUSA, 2001, p. 62)

terça-feira, 6 de março de 2012

São apenas essas informações?



“O jornalista deve relatar os fatos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade. Os fatos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público” (SOUSA, 2001, p.94).


A edição de nº 90 do Jornal “Repórter Parintins” trouxe uma matéria intitulada ‘David Assayag, a voz da Amazônia na Sapucaí’. A matéria trata da homenagem que a escola de samba Acadêmicos do Grande Rio fez ao levantador de toadas amazonense.
É valido destacar que o tema do enredo da Grande Rio foi “Eu acredito em você! E você? (Histórias de Superação)”. Um dos destaques da escola foi o exemplo de David Assayag, pois, ainda quando jovem, perdeu a visão e mesmo assim se superou mostrando seu talento musical no Amazonas. Em nenhum momento a escola de samba fez homenagem aos Bois de Parintins. É claro que o carro que trazia o levantador de toadas vinha representando a realidade que vive o cantor, os bois Garantido e Caprichoso. Na frente do carro alegórico da Grande Rio estavam a porta-estandarte do Garantido (Raissa Barros) e a porta-estandarte do Caprichoso (Karine Medeiros). E junto ao levantador de toadas vinha a Cunhã Poranga do Caprichoso (Maria Azêdo).
A agremiação de samba trouxe representantes de ambos os bois, já que estava homenageando o levantador de toadas que fez parte dos dois. Em nenhum momento a equipe do Jornal Repórter Parintins trouxe essas informações ao longo do texto, eles explicitaram uma matéria tendenciosa ao Boi- Bumbá Caprichoso, citando apenas as representantes do boi azul, como se a escola de samba tivesse homenageado o Caprichoso. Independente de qual Boi-Bumbá está o levantador de toadas, a sua história deve ser contada. Na notícia, é como se David só tivesse sido homenageado por estar atualmente no Caprichoso. Os créditos devem ser dados a quem  merece, nesse caso, o levantador de toadas e não a uma ou outra Associação Folclórica de Parintins.
Ainda ao longo do texto o jornalista cita que a beleza da mulher amazonense foi representada pelas brincantes do boi Caprichoso. Havia uma representante do boi contrário também que não é citada em nenhum momento da matéria. E a fotografia que ilustra a notícia também só trouxe a foto do Caprichoso.
Acredito que o jornalista ao escrever esta matéria deveria ter sido mais fidedigno aos fatos, pois para os leitores que não acompanharam o desfile da Escola de Samba só existiu o Boi Azul e nada mais. Ou o jornalista é fanático pelo Boi Caprichoso ou ele esqueceu que não cabe ao repórter ocultar informações que sejam necessárias para o entendimento correto do texto.

Yasmin Cardoso

Referências:

sábado, 21 de janeiro de 2012

Cadê o vigia?


“A notícia é a matéria-prima do jornalismo, o centro de gravidade do jornal, da mídia em geral, a base de tudo quanto é publicado. Em sua busca, concentra-se o esforço da redação. Ela determina o ritmo de trabalho, impõe horários, comanda a vida”  Luiz Amaral

A edição de n° 912 do Jornal Novo Horizonte trouxe uma notícia intitulada “Secretaria de Saúde é arrombada e vigia afirma que não viu nada”. Segundo Sousa (2001), um bom título acrescenta valor a uma peça jornalística. Os títulos devem ser informativos, sintetizando o núcleo duro da informação numa frase curta, forte e sedutora.
O título sintetiza o conteúdo da matéria, mas ao longo do texto, o autor não cita mais o vigia, nem dá espaço para a fala do servidor, ele é citado apenas na manchete. E por se ter dado tanta ênfase a ele no título, infere-se que ao longo da notícia ele fosse aparecer dando seu depoimento. Contudo, a única fonte da matéria é o secretário de saúde do município, é ele quem fala o que o vigia supostamente teria dito.
Quem garante aos leitores desse jornal, que o vigia falou isso mesmo? Não foi dada a ele a oportunidade de falar, o que validaria esta informação. De novo, este periódico utiliza em suas matérias somente as falas de fontes oficiais.
Sousa (2001), afirma: “Quando se trata de situações que envolvem interesses de várias partes, as fontes devem ser sempre contrastadas, mesmo que a resposta a publicar seja que a entidade se recusou a prestar declarações. Também se deve fazer contrastação de fontes por rotina”.
Este acontecimento teve muita repercussão em Parintins, o jornalista deveria ter ouvido várias versões e várias pessoas, para contrastar as informações. Foi uma matéria superficial, pois poderia ter sido mais explorada. A matéria também teve pouco destaque no jornal, sendo que o espaço destinado para ela, não ocupa mais da metade de uma página do Novo Horizonte.

Yasmin Cardoso

Referências:
AMARAL, Luiz. Jornalismo: matéria de primeira página. 6. Ed. Atual e aumentada- Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro 2008.
SOUSA, Jorge Pedro. Elementos de jornalismo impresso. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2001.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Porque não, oras!


A edição de 24 a 30 de Dezembro do Jornal Novo Horizonte trouxe, na seção Cidade, a notícia intitulada “Situação e oposição concordam em 30% no remanejamento”. A matéria trata do remanejamento do orçamento municipal para o ano de 2012, no qual a bancada da situação pedia 40% e a oposição preferia 20%. Ao final, o reajuste ficou em 30%, meio termo entre as duas bancadas.
O que chama atenção na notícia é o fundamento apresentado no jornal para que a oposição não aceitasse os 40% de reajuste, que diz assim: “Para a oposição isso significou uma vitória, porque não permitiu o valor apresentado pelo prefeito”. Com isso, e por algum motivo, o jornal não mostrou (ou mesmo coletou) dos vereadores da oposição, algum fundamento para a negação da proposta da base aliada à prefeitura.

Helder Mourão

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sensacionalismo ou desconhecimento?




Na edição de número dois, de 22 de dezembro de 2011, o jornal Gazeta Parintins trouxe uma notícia intitulada “Imprudência gera mais vítimas”, que relata um acidente de trânsito que deixou um jovem com a perna esquerda fraturada e escoriações por todo o corpo.
Contudo, o que chama atenção na notícia é a foto utilizada, pois trata-se de uma imagem da vítima no leito do hospital. Uma foto um tanto impactante para atrair a atenção do leitor.
Outra edição analisada foi a de número três, 26 de dezembro, que traz como manchete a notícia “Jovem esfaqueado no rosto escapa da morte”. Mas o que chama atenção do leitor nesta matéria também é a imagem utilizada, pois, mais uma vez o jornal utilizou uma foto inadequada, ou seja, mostra uma foto bem de perto da vítima com os pontos no rosto. Ainda na capa mostra também uma radiografia do crânio com a faca cravada.
Além dessas imagens na capa, na notícia sobre o acontecimento intitulada “Serralheiro escapa da morte”, o jornal apresenta também uma foto da vítima Joelson Silva e Silva no leito do hospital.
As imagens despertam atenção imediata e provoca impacto nas pessoas, mas o difícil é encontrar um sentido jornalístico para estas fotos, pois o que fica perceptível é o sensacionalismo e a espetacularização das vítimas estampadas para impressionar o público.
Recomenda-se ao jornal que não utilize imagens sensacionalistas e que espetacularizem os cidadãos, pois se deve levar em consideração a conservação da imagem dessas pessoas que sofrem algum tipo de agressão e que, muitas vezes, acabam indo parar nas capas de jornais como atrativos para o público.

Hanne Caldas

Uma ressalva

Na edição número três, do dia 26 de dezembro de 2011, o jornal Gazeta Parintins trouxe na página 03, uma reportagem intitulada “Procura do pescado diminui nas feiras”.
A reportagem explica a queda na venda e nos preços dos peixes durante a época natalina, e também sobre os peixes que são vendidos nessa época, quem são as pessoas que procuram, a falta de um local adequado para a venda do pescado, higiene etc.
Além disso, a reportagem traz também uma foto da feira de pescado que fica localizada próxima à ponte do bairro Paulo Corrêa, seguida com a legenda “Joselito levou proposta à Brasília”, isto é, a legenda não condiz em nada com a foto, pois se trata da legenda da foto da edição anterior, que era a notícia “Moção criada por parintinense encaminhada à presidente Dilma”.
Portanto, fica a dica: é sempre importante fazer uma boa revisão de todo o jornal antes de enviar para impressão, para que não continue havendo esses pequenos desencontros de informações.

Hanne Caldas

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Seja bem-vindo!




Entra em circulação no município de Parintins mais um jornal impresso, chamado Gazeta Parintins, com produção de edições que saem duas vezes na semana, segunda e quinta-feira. O jornal é vendido por um preço acessível e começou a circular no dia 19 de dezembro de 2011.
Fazendo uma análise geral e ampla do veículo, é possível inferir que se trata de uma proposta que pretende trazer um diferencial para o público parintinense, pois analisando o editorial da primeira edição é possível encontrar traços dessa afirmativa.
O jornal cita que “...tem o objetivo principal de levar a você a informação e o dialogo de uma forma transparente com um olhar critico...”. Agora, só resta esperar as próximas edições e verificar este compromisso de diálogo transparente com olhar crítico, como o próprio jornal achou conveniente nesta colocação.
No trecho do terceiro parágrafo está: “Desejamos que você seja um colaborador de ideias, um porta-voz dos fatos...”. E também no quarto parágrafo: “Estamos aqui para servi-los da forma correta e verdadeira que um meio de comunicação pode oferecer a população...”. Ou seja, com estas palavras o leitor pode concluir que este jornal será um espaço diferente dos demais, em que realmente poderá ler conteúdos com cunho crítico e até mesmo escrever para o periódico com um olhar crítico sobre as questões que se apresentam na sociedade.
Neste sentido, oferecemos as boas vindas ao novo veículo impresso parintinense, que a proposta inicial possa conseguir alcançar seus objetivos e que realmente possa ser um ambiente democrático para toda a população a fim de torná-lo um espaço de emancipação, capaz de fornecer conhecimentos para todos os públicos.

Hanne Caldas