segunda-feira, 19 de março de 2012

Enlatados: vereadores desconhecem o problema?




O Plantão Popular do dia 7 de março de 2012 noticiou a falta de conhecimento de alguns vereadores sobre “o cancelamento do contrato entre Governo do Estado e Prefeitura para a compra de merenda regionalizada” com a manchete: “Vereadores desconhecem fim de convênio”, sendo que apenas três vereadores são mencionados no texto. A questão é que no momento a câmara dispõe de nove edis...
A matéria começa afirmando que “a maioria dos vereadores” constatados desconhecia o assunto. O primeiro é Beto Farias (PMDB) que é contra produtos industrializados na merenda escolar. O segundo Flávio Farias (PT) diz que “o Estado não pode ficar bancando irresponsabilidades”. No último parágrafo, outro vereador é questionado, no entanto não fica claro de quem se trata, pois seu nome não é mencionado a não ser pelas iniciais (J. A.). Ele diz que gostaria que a merenda “fosse regionalizada e que a Agência de Desenvolvimento Sustentável – ADS comprasse a produção de Parintins”.
Nessa mesma edição, o Plantão publicou uma noticia sobre a imposição de produtos enlatados na merenda escolar. Na matéria são expostas questões que dão credibilidade a informação com a opinião dos pais de alunos e a fala do presidente do colegiado. No entanto, não foi ouvido nenhum representante da Seduc para saber o motivo de inserir enlatados na merenda, sendo que tais produtos podem fazer mal a saúde.
Para Octavio Bonfim “a apuração, consiste no levantamento completo dos dados e elementos de um acontecimento, para que se possa escrever uma noticia sobre o mesmo”. No entanto, o Plantão deixou a desejar em sua apuração, não que o assunto em questão seja de pouca importância, muito pelo contrário. Contudo, a má apuração e o vício em fontes especializadas fazem com que se perca a competência na divulgação de informações relevantes.
A mídia impressa deveria se atentar para tais falhas que ocorrem não só no Plantão Popular, mas em outros veículos também. Certo de que se usa muito a desculpa da correria do dia a dia, algo que prejudicaria o aprofundamento nas matérias, devemos lembrar que isso faz parte da profissão. É preciso mais pesquisas e um maior interesse de quem tem como dever informar a população.

Tuanny Dutra

sexta-feira, 16 de março de 2012

Notícia relevante, mas pouco aprofundada




A edição do dia 7 de Março do Plantão Popular trouxe uma notícia intitulada, “Seduc impõe enlatados na merenda”. Trata-se de uma notícia de grande interesse para a população e é abordada de forma interessante também, pois há inúmeras pesquisas que mostram a nocividade dos enlatados.
Porém três questões poderiam melhorar a notícia. A primeira é que Idalberto Vasconcelos é apresentado na notícia como presidente do colegiado, o que pouco explica sobre seu cargo ou sua importância na notícia.
A outra questão é que na matéria diz o seguinte: “Desde o inicio do ano letivo, os gestores das escolas estaduais foram orientados a recusarem a merenda composta por produtos regionais e adotarem enlatados e sucos concentrados enviados da capital do estado.” Trata-se de uma afirmação que não traz a confirmação de nenhum gestor, o que pode acarretar problemas judiciais pela falta de provas ou mesmo descrédito da notícia pela falta de documentação.
Por fim, uma boa notícia buscaria informações com os responsáveis por essa troca na merenda escolar, alguém da Seduc ou a própria assessoria deles, para que pudessem apresentar os motivos da mudança.

Helder Mourão

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uma visita e nada mais!

O Jornal da Ilha trouxe uma matéria intitulada: “Juscelino visitou a redação do JI”. A notícia trata sobre a ilustre visita do vereador à redação do Jornal, que acompanhado de seus assessores, passou pelas instalações do local, quis ver as edições anteriores do veículo e teceu elogios ao trabalho que a equipe do J.I faz aqui em Parintins.
A pergunta que deve ser feita é: qual o critério de noticiabilidade[1] que o Jornal da Ilha está usando para selecionar as suas notícias? Sim, porque qual a real necessidade dos leitores saberem que o vereador foi fazer uma visita à redação do Jornal! Quer dizer, se eu tenho um jornal e alguém que eu considere importante vier até mim, eu vou fazer uma notícia e publicar? Jornal não é agenda!
Evidente que se a equipe do Jornal da Ilha fosse atrás de pautas para cobrirem em Parintins, eles encontrariam assunto de sobra para preencherem o espaço do jornal e também para noticiar aos leitores assuntos relevantes, de forma responsável.

Lacrima

Referências:
 SOUSA, Jorge Pedro. Elementos do Jornalismo Impresso. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2001.


[1] Os critérios de noticiabilidade não são rígidos nem universais. Por outro lado, são (...) de natureza esquiva, opaca e, por vezes, contraditória. Eles funcionam conjuntamente em todo o processo de fabrico e difusão das notícias e dependem da forma de operar da organização noticiosa, da sua hierarquia interna e da maneira como ela confere ordem ao aparente caos da realidade (SOUSA, 2001, p.39)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Carnaval. carnaval e carnaval


            O carnaval é um evento significante na vida do povo brasileiro, e do parintinense também. Notando isso, O Jornal da Ilha dedicou praticamente toda a sua edição do dia 26 de fevereiro para cobrir a festa.
            Sim, a cobertura do evento é relevante para os leitores do periódico, mas deixou-se de dar relevância para outros fatos ocorridos nos dias do evento. Fatos esses que, de um jeito ou de outro, mereciam ter uma cobertura mais aprofundada.
            Nessa edição, esqueceram de informar o leitor acerca dos acidentes, assaltos e outras ocorrências policiais registradas nesse período festivo. Isso nos remete a pensar que a edição veio com o objetivo de mostrar ao povo de Parintins que a festa foi perfeita, sem nenhum imprevisto.
            As únicas matérias que não tratavam de carnaval foram feitas por assessorias de imprensa, o que é muito comum na imprensa parintinense. Ao todo, são três matérias, sendo que uma trata também de carnaval.
            Entende-se que a festa é muito relevante, mas deve-se pensar que os fatos da cidade, no período em que foi realizado, não se restringem ao evento. Esperamos que, no próximo ano, o jornal continue a cobertura da festividade, mas sem deixar de lado outros fatos que nada tem a ver com ela.

Daniel Sicsú

terça-feira, 13 de março de 2012

Erros ortográficos e seleção das notícias comprometem edição


“Cheia deixa Parintins de alerta” é a chamada do Jornal da Ilha, em edição veiculada no dia quatro de março de 2012, para informar os percalços causados pela enchente deste ano. O uso da preposição “de” não está de acordo com a concordância da oração. “Preposição é uma palavra invariável que estabelece relação entre termos de uma mesma oração (liga palavras entre si)” (MAZZAROTTO, 2003 p.312). A preposição “DE” é denominada essencial e deve ser empregada sempre que for conveniente ao contexto da oração. A forma mais adequada seria essa: “CHEIA DEIXA PARINTINS EM ALERTA”.
Outro fato curioso a ser analisado na edição de número 318 é o critério de noticiabilidade. Observa-se que a edição não busca escolher os elementos de interesse da notícia. Falar do ex-senador Arthur Virgílio Neto até permitiria uma foto com legenda na coluna social, mas mostrar matéria em que trata de sua volta de Portugal e os agradecimentos ao povo pela hospitalidade... Qual o interesse do parintinense em saber de todos esses detalhes? Será que não está acontecendo nada na cidade que possa ser considerado como interesse da maioria?  Critérios como proximidade, significância, não estão de acordo com algumas matérias veiculadas na edição.
Além disso, eu digo a vocês, o Jornal da Ilha utilizou os comandos Ctrl C Ctrl V (copiar e colar) em uma matéria da revista Veja que fala do best-seller alemão Tchic. A resenha escrita por Bruno Meier sobre o livro ocupou mais de um quarto da página. É importante o jornal dar espaço para divulgar lançamentos e etc, porém se a resenha fosse feita por um integrante do jornal, isso com certeza deixaria o periódico com mais credibilidade junto a comunidade.

Evelyn Pessoa


quarta-feira, 7 de março de 2012

Precisa-se de mais fontes


A edição do Jornal Novo Horizonte referente à semana de 25/02- 02/03 trouxe uma matéria intitulada “Justiça manda família desocupar terreno no Macurany”. A notícia fala sobre uma desocupação de propriedade, onde os residentes moravam há cerca de 60 anos.
Ao ler o texto percebe-se que a família que teve que sair do local estava indignada, pois tinham os documentos do terreno. Mesmo assim a juíza deu ganho de causa ao requerente. O que fica confuso na matéria é o fato de o repórter não explicar o porquê dos moradores terem sido expulsos, já que possuíam a documentação do local.
É visível que o jornalista fez uma abordagem humanizadora no texto, só que faltou mais esclarecimento para que os leitores conseguissem entender o que de fato motivou o despejo.
Outro ponto falho é a consulta das fontes, pois ao longo de toda a notícia o jornalista coloca apenas o depoimento da dona da casa e do advogado do requerente.  É um jogo de falas de acusação e de defesa, que não exemplificavam melhor o ocorrido. Há outros personagens que poderiam ter sido consultados, pois são citados no texto. Tem a figura do oficial de justiça – que poderia ter esclarecido melhor o que aconteceu; há os policiais militares que ajudaram na ação, e mais 19 pessoas que moravam no lugar.
A falta de consulta de mais fontes jornalísticas[1] prejudica o desenvolvimento do texto e, por conseguinte, o entendimento do leitor. Essa não é uma particularidade do Jornal Novo Horizonte, os jornais impressos da Ilha costumam, quase sempre, fazer o mesmo.

Yasmin Cardoso

Referências:

SOUSA, Jorge Pedro. Elementos do Jornalismo Impresso. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2001.


[1] Toda e qualquer entidade que possua dados susceptíveis de ser usados pelo jornalista no seu exercício profissional pode ser considerada uma fonte de informação. Existem, assim, vários tipos de fontes: humanas, documentais, eletrônicas, etc. (SOUSA, 2001, p. 62)

terça-feira, 6 de março de 2012

São apenas essas informações?



“O jornalista deve relatar os fatos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade. Os fatos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público” (SOUSA, 2001, p.94).


A edição de nº 90 do Jornal “Repórter Parintins” trouxe uma matéria intitulada ‘David Assayag, a voz da Amazônia na Sapucaí’. A matéria trata da homenagem que a escola de samba Acadêmicos do Grande Rio fez ao levantador de toadas amazonense.
É valido destacar que o tema do enredo da Grande Rio foi “Eu acredito em você! E você? (Histórias de Superação)”. Um dos destaques da escola foi o exemplo de David Assayag, pois, ainda quando jovem, perdeu a visão e mesmo assim se superou mostrando seu talento musical no Amazonas. Em nenhum momento a escola de samba fez homenagem aos Bois de Parintins. É claro que o carro que trazia o levantador de toadas vinha representando a realidade que vive o cantor, os bois Garantido e Caprichoso. Na frente do carro alegórico da Grande Rio estavam a porta-estandarte do Garantido (Raissa Barros) e a porta-estandarte do Caprichoso (Karine Medeiros). E junto ao levantador de toadas vinha a Cunhã Poranga do Caprichoso (Maria Azêdo).
A agremiação de samba trouxe representantes de ambos os bois, já que estava homenageando o levantador de toadas que fez parte dos dois. Em nenhum momento a equipe do Jornal Repórter Parintins trouxe essas informações ao longo do texto, eles explicitaram uma matéria tendenciosa ao Boi- Bumbá Caprichoso, citando apenas as representantes do boi azul, como se a escola de samba tivesse homenageado o Caprichoso. Independente de qual Boi-Bumbá está o levantador de toadas, a sua história deve ser contada. Na notícia, é como se David só tivesse sido homenageado por estar atualmente no Caprichoso. Os créditos devem ser dados a quem  merece, nesse caso, o levantador de toadas e não a uma ou outra Associação Folclórica de Parintins.
Ainda ao longo do texto o jornalista cita que a beleza da mulher amazonense foi representada pelas brincantes do boi Caprichoso. Havia uma representante do boi contrário também que não é citada em nenhum momento da matéria. E a fotografia que ilustra a notícia também só trouxe a foto do Caprichoso.
Acredito que o jornalista ao escrever esta matéria deveria ter sido mais fidedigno aos fatos, pois para os leitores que não acompanharam o desfile da Escola de Samba só existiu o Boi Azul e nada mais. Ou o jornalista é fanático pelo Boi Caprichoso ou ele esqueceu que não cabe ao repórter ocultar informações que sejam necessárias para o entendimento correto do texto.

Yasmin Cardoso

Referências:

sábado, 21 de janeiro de 2012

Cadê o vigia?


“A notícia é a matéria-prima do jornalismo, o centro de gravidade do jornal, da mídia em geral, a base de tudo quanto é publicado. Em sua busca, concentra-se o esforço da redação. Ela determina o ritmo de trabalho, impõe horários, comanda a vida”  Luiz Amaral

A edição de n° 912 do Jornal Novo Horizonte trouxe uma notícia intitulada “Secretaria de Saúde é arrombada e vigia afirma que não viu nada”. Segundo Sousa (2001), um bom título acrescenta valor a uma peça jornalística. Os títulos devem ser informativos, sintetizando o núcleo duro da informação numa frase curta, forte e sedutora.
O título sintetiza o conteúdo da matéria, mas ao longo do texto, o autor não cita mais o vigia, nem dá espaço para a fala do servidor, ele é citado apenas na manchete. E por se ter dado tanta ênfase a ele no título, infere-se que ao longo da notícia ele fosse aparecer dando seu depoimento. Contudo, a única fonte da matéria é o secretário de saúde do município, é ele quem fala o que o vigia supostamente teria dito.
Quem garante aos leitores desse jornal, que o vigia falou isso mesmo? Não foi dada a ele a oportunidade de falar, o que validaria esta informação. De novo, este periódico utiliza em suas matérias somente as falas de fontes oficiais.
Sousa (2001), afirma: “Quando se trata de situações que envolvem interesses de várias partes, as fontes devem ser sempre contrastadas, mesmo que a resposta a publicar seja que a entidade se recusou a prestar declarações. Também se deve fazer contrastação de fontes por rotina”.
Este acontecimento teve muita repercussão em Parintins, o jornalista deveria ter ouvido várias versões e várias pessoas, para contrastar as informações. Foi uma matéria superficial, pois poderia ter sido mais explorada. A matéria também teve pouco destaque no jornal, sendo que o espaço destinado para ela, não ocupa mais da metade de uma página do Novo Horizonte.

Yasmin Cardoso

Referências:
AMARAL, Luiz. Jornalismo: matéria de primeira página. 6. Ed. Atual e aumentada- Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro 2008.
SOUSA, Jorge Pedro. Elementos de jornalismo impresso. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2001.