sexta-feira, 23 de março de 2012

Tony, o humorista




            Com o título “Tony Medeiros acusa a Tucunaré Turismo de desorganização na venda de ingressos para o festival”, a edição do último dia 11 de março do Jornal da Ilha, traz à tona a indignação do deputado estadual Tony Medeiros com o sumiço dos ingressos. Além disso, a matéria destaca uma simples fala que demonstra a infelicidade do deputado ao se expressar.
            “(O) aeroporto vai estar operando naturalmente, porque os urubus devem tirar férias e os vôos para Parintins vão acontecer de dia e de noite na época de festival”.  Essa é a fala de Medeiros que causa estranheza e indignação ao leitor. Como assim? Os urubus irão tirar férias?
            Nota-se que os culpados pelo fechamento do aeroporto, no período diurno, é dado aos “pobres” urubus. A prefeitura não tem nenhuma culpa por isso. Tudo é responsabilidade dos animais que, de forma direta ou indireta, fazem com que nossa cidade não seja um verdadeiro amontoado de lixo...
            É estranho ver uma afirmação desse porte vinda da boca de um deputado, pois, querendo ou não, o papel dele seria elaborar leis e projetos que visem dar uma melhor condição de vida à população amazonense. Contudo, percebe-se que o deputado está dando uma de Tiririca (o representante humorista do povão), pois está tirando sarro de uma situação séria, grave, que merece resolução imediata.
            Ao invés de ficar fazendo piadas com a situação que assola Parintins, os políticos, como ele, deveriam defender aqueles que os colocaram nesse cargo, pois, sem eleitores, eles  não estariam no conforto de seus gabinetes. A reportagem deveria buscar de Tony, mais do que sarcasmo, efetivas respostas para o problema elencado. Lugar de piada é em revistinha de humor, não na editoria de cidades de um jornal.

Daniel Sicsú



quinta-feira, 22 de março de 2012

Falta de pauta ou preenchimento de espaço?


O Jornal “Plantão Popular” do dia 08 de Março trouxe na editoria de cidades duas matérias intituladas: ‘Bruxa solta no trânsito’ e ‘Marítimo morre na Nações Unidas’. As duas notícias tratam do mesmo acontecimento, o acidente fatal que ocorreu na Av. Nações Unidas com Wilhames Carvalho.
No primeiro texto (Bruxa solta no trânsito), o jornalista relata o que aconteceu e colhe somente o depoimento do sargento da PM que está “revoltado” com os últimos acidentes de trânsito no município. Só há a fala do oficial da polícia. No segundo texto (Marítimo morre na Nações Unidas), o repórter relata o acidente como se ele estivesse presente na hora do acontecido. Durante a notícia, o escritor não utiliza nenhuma fonte para validar suas informações ou para o melhor entendimento do leitor.
São duas notícias, ambas tratando do mesmo acontecimento, mas nem uma nem outra esclarece de forma correta o que aconteceu. O que levaria um jornal publicar a mesma pauta duas vezes e na mesma edição? Seria um complemento da outra? Ou foi apenas para enfatizar a fatalidade? Acredito que apenas uma matéria, desde que bem esclarecida já bastaria.
Sabe-se que o trânsito em Parintins realmente não é um dos melhores, mas não vamos culpar as vítimas para ocultar uma problemática que deveria estar sendo discutida nos jornais da cidade: quais as condições reais do trânsito em Parintins? A sinalização funciona?  Existem placas e faixas suficientes? Não seria a hora da cidade ter uma forma de transporte público? É uma discussão pertinente e que deveria servir de pauta para os jornalistas, aprofundando o tema e esclarecendo para o leitor qual a verdadeira situação do transito na Ilha.

Yasmin Gatto Cardoso

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mulher ou objeto?


Na edição nº 30 do dia 13 de março de 2012, o jornal Plantão Popular publicou uma notícia intitulada “Churrasqueira morre em acidente”. Trata-se de um acidente fatal que ocorreu com uma vendedora de churrasco na noite do dia anterior.
Repare no título: a palavra “Churrasqueira”. Inicialmente quando lemos a manchete, parece que se trata de um objeto e não de uma vendedora. Ou seja, trata-se de uma palavra com duplo sentido e consequentemente tem grande potencial para confundir o leitor. Além disso, fica explícito que o jornal deu mais importância à profissão da mulher do que a própria existência “humana” dela.
Ao longo da notícia é somente relatado como possivelmente aconteceu o acidente, mostrando apenas as vozes das testemunhas oculares. Ao final do relato aparece a citação: “Pelas informações, a Polícia chegou à residência do Médico Renan Nascimento, que já estava deitado quando a polícia bateu à sua porta”. A informação está incompleta, pois o motorista que causou o acidente não foi ouvido, o que mostra que houve um enquadramento[1] unilateral da situação, dando assim margem para o leitor entender que fora um acidente consciente por parte do autor.
Enfim, o jornal falhou no complemento das informações, pois a notícia ficou em aberto e isso suscita dúvidas aos leitores. Além disso, deixa o público sem o conhecimento de fato sobre o que se trata o assunto.

Hanne Caldas


[1] Na prática jornalística, um enquadramento (framing) é construído através de procedimentos como seleção, exclusão ou ênfase de determinados aspectos e informações, de forma a compor perspectivas gerais através das quais os acontecimentos e situações do dia são dados a conhecer.

terça-feira, 20 de março de 2012

Opinião sim, moralismo não!

Caso esta imagem tenha deixado você com vontade de beber, cuidado! Alerta do Plantão Popular!

Nas edições nº 19 (do dia 25 de fevereiro) e nº 21 (do dia 29 de fevereiro de 2012), o jornal Plantão Popular refere-se aos excessos na utilização do álcool durante os festejos carnavalescos da Ilha.
Na primeira edição analisada, o jornal expõe em seu editorial sua opinião sobre o tema, o qual está intitulado “Alegria movida a álcool”. Neste, o autor apresenta os dados quantitativos sobre o investimento em bebidas alcoólicas, destinados para a venda no Carnailha 2012. Mas, sobretudo, apresenta no contexto deste diálogo um discurso moralista. Um dos trechos que evidencia posicionamento: “De acordo com o volume de venda de cerveja apresentado pelas distribuidoras, assim como a corrida irrestrita pelo lucro, não há dúvidas de que o número de consumidores ou dependentes do produto, indiscriminadamente, tenha crescido e atingido níveis pra lá do considerado aceitável.”
A primeira vista fica claro um discurso que está preocupado com o alto consumo de álcool e que pode levar a várias consequências, como a violência. Por outro lado, ficam implícitos alguns questionamentos referentes às colocações no trecho acima como: desde quando foi indicado um nível aceitável para se consumir bebida alcoólica? Aceitável pra quem? Será que para quem escreveu o jornal? Pois, com esta atitude o que dá a entender é uma tentativa de ditar, sem comprovação, como um cidadão deve se comportar e o quanto deve consumir, ou seja, ditar normas para comportamentos considerados “adequados”.
Já na segunda edição, o jornal apresenta uma seção denominada “Plantão Debate”, dessa vez movido pelo seguinte questionamento: “Álcool: combustível da alegria?”. Para responder a pergunta, o jornal consultou três fontes: o professor da UFAM Jefferson da Cruz, a auxiliar administrativa Karliany dos Santos e o Major Túlio Freitas. Como já era de se esperar todos os entrevistados usaram discursos com justificativas diferentes, porém com a mesma finalidade: afirmar que a bebida não é um combustível da alegria. Mas aqui fica a dúvida: qual o critério de seleção dessas fontes?
Contudo, percebe-se que o jornal não procurou dar voz ao público que tenha uma idéia diferente, que discorde do assunto ou mesmo que concorde que o álcool seja o combustível da alegria, pois vale lembrar que nem todo mundo que bebe fica uma pessoa chata, implicante ou violenta, pelo contrário, existem pessoas que são introvertidas e que quando bebem apenas ficam alegres e nada mais, não dá para generalizar um modelo do usuário de álcool. Ou seja, faltou mostrar o tão revisitado conceito que é apresentado pelo jornal: o outro olhar.

Hanne Assimen

segunda-feira, 19 de março de 2012

Enlatados: vereadores desconhecem o problema?




O Plantão Popular do dia 7 de março de 2012 noticiou a falta de conhecimento de alguns vereadores sobre “o cancelamento do contrato entre Governo do Estado e Prefeitura para a compra de merenda regionalizada” com a manchete: “Vereadores desconhecem fim de convênio”, sendo que apenas três vereadores são mencionados no texto. A questão é que no momento a câmara dispõe de nove edis...
A matéria começa afirmando que “a maioria dos vereadores” constatados desconhecia o assunto. O primeiro é Beto Farias (PMDB) que é contra produtos industrializados na merenda escolar. O segundo Flávio Farias (PT) diz que “o Estado não pode ficar bancando irresponsabilidades”. No último parágrafo, outro vereador é questionado, no entanto não fica claro de quem se trata, pois seu nome não é mencionado a não ser pelas iniciais (J. A.). Ele diz que gostaria que a merenda “fosse regionalizada e que a Agência de Desenvolvimento Sustentável – ADS comprasse a produção de Parintins”.
Nessa mesma edição, o Plantão publicou uma noticia sobre a imposição de produtos enlatados na merenda escolar. Na matéria são expostas questões que dão credibilidade a informação com a opinião dos pais de alunos e a fala do presidente do colegiado. No entanto, não foi ouvido nenhum representante da Seduc para saber o motivo de inserir enlatados na merenda, sendo que tais produtos podem fazer mal a saúde.
Para Octavio Bonfim “a apuração, consiste no levantamento completo dos dados e elementos de um acontecimento, para que se possa escrever uma noticia sobre o mesmo”. No entanto, o Plantão deixou a desejar em sua apuração, não que o assunto em questão seja de pouca importância, muito pelo contrário. Contudo, a má apuração e o vício em fontes especializadas fazem com que se perca a competência na divulgação de informações relevantes.
A mídia impressa deveria se atentar para tais falhas que ocorrem não só no Plantão Popular, mas em outros veículos também. Certo de que se usa muito a desculpa da correria do dia a dia, algo que prejudicaria o aprofundamento nas matérias, devemos lembrar que isso faz parte da profissão. É preciso mais pesquisas e um maior interesse de quem tem como dever informar a população.

Tuanny Dutra

sexta-feira, 16 de março de 2012

Notícia relevante, mas pouco aprofundada




A edição do dia 7 de Março do Plantão Popular trouxe uma notícia intitulada, “Seduc impõe enlatados na merenda”. Trata-se de uma notícia de grande interesse para a população e é abordada de forma interessante também, pois há inúmeras pesquisas que mostram a nocividade dos enlatados.
Porém três questões poderiam melhorar a notícia. A primeira é que Idalberto Vasconcelos é apresentado na notícia como presidente do colegiado, o que pouco explica sobre seu cargo ou sua importância na notícia.
A outra questão é que na matéria diz o seguinte: “Desde o inicio do ano letivo, os gestores das escolas estaduais foram orientados a recusarem a merenda composta por produtos regionais e adotarem enlatados e sucos concentrados enviados da capital do estado.” Trata-se de uma afirmação que não traz a confirmação de nenhum gestor, o que pode acarretar problemas judiciais pela falta de provas ou mesmo descrédito da notícia pela falta de documentação.
Por fim, uma boa notícia buscaria informações com os responsáveis por essa troca na merenda escolar, alguém da Seduc ou a própria assessoria deles, para que pudessem apresentar os motivos da mudança.

Helder Mourão

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uma visita e nada mais!

O Jornal da Ilha trouxe uma matéria intitulada: “Juscelino visitou a redação do JI”. A notícia trata sobre a ilustre visita do vereador à redação do Jornal, que acompanhado de seus assessores, passou pelas instalações do local, quis ver as edições anteriores do veículo e teceu elogios ao trabalho que a equipe do J.I faz aqui em Parintins.
A pergunta que deve ser feita é: qual o critério de noticiabilidade[1] que o Jornal da Ilha está usando para selecionar as suas notícias? Sim, porque qual a real necessidade dos leitores saberem que o vereador foi fazer uma visita à redação do Jornal! Quer dizer, se eu tenho um jornal e alguém que eu considere importante vier até mim, eu vou fazer uma notícia e publicar? Jornal não é agenda!
Evidente que se a equipe do Jornal da Ilha fosse atrás de pautas para cobrirem em Parintins, eles encontrariam assunto de sobra para preencherem o espaço do jornal e também para noticiar aos leitores assuntos relevantes, de forma responsável.

Lacrima

Referências:
 SOUSA, Jorge Pedro. Elementos do Jornalismo Impresso. Porto: Universidade Fernando Pessoa, 2001.


[1] Os critérios de noticiabilidade não são rígidos nem universais. Por outro lado, são (...) de natureza esquiva, opaca e, por vezes, contraditória. Eles funcionam conjuntamente em todo o processo de fabrico e difusão das notícias e dependem da forma de operar da organização noticiosa, da sua hierarquia interna e da maneira como ela confere ordem ao aparente caos da realidade (SOUSA, 2001, p.39)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Carnaval. carnaval e carnaval


            O carnaval é um evento significante na vida do povo brasileiro, e do parintinense também. Notando isso, O Jornal da Ilha dedicou praticamente toda a sua edição do dia 26 de fevereiro para cobrir a festa.
            Sim, a cobertura do evento é relevante para os leitores do periódico, mas deixou-se de dar relevância para outros fatos ocorridos nos dias do evento. Fatos esses que, de um jeito ou de outro, mereciam ter uma cobertura mais aprofundada.
            Nessa edição, esqueceram de informar o leitor acerca dos acidentes, assaltos e outras ocorrências policiais registradas nesse período festivo. Isso nos remete a pensar que a edição veio com o objetivo de mostrar ao povo de Parintins que a festa foi perfeita, sem nenhum imprevisto.
            As únicas matérias que não tratavam de carnaval foram feitas por assessorias de imprensa, o que é muito comum na imprensa parintinense. Ao todo, são três matérias, sendo que uma trata também de carnaval.
            Entende-se que a festa é muito relevante, mas deve-se pensar que os fatos da cidade, no período em que foi realizado, não se restringem ao evento. Esperamos que, no próximo ano, o jornal continue a cobertura da festividade, mas sem deixar de lado outros fatos que nada tem a ver com ela.

Daniel Sicsú