terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mera coincidência

Primeiro quero que o leitor dê uma olhada nesses três recortes de jornais que circulam na cidade.


Notaram alguma coisa em comum?
Acho que esse fotógrafo ganhou uma nota com essa imagem, pois ela está presente nos três jornais. Parabéns ao...ao...peraê que vou dar uma olhada aqui no Regional, ah sim!! Ao Paulo Sicsú que tirou uma boa foto e ganhou uma nota, mas que foi ignorado pelo mundo jornalístico, pois apenas o Regional deu os devidos créditos a ele.
O mais interessante é que fui procurar se os jornais também só tinham usado uma única foto para mostrar os outros candidatos à presidência do Garantido, e adivinha!! Não usaram, na verdade não usaram nenhuma. Para ser mais específico nenhum dos outros candidatos foi mostrado, ainda mais com essa ênfase (vulgo campanha) nos demais periódicos.
Temos aqui então dois problemas e uma questão a ser ressaltada. O problema é o de vários jornais usarem a mesma foto para ilustrar suas notícias, sendo que se trata de uma foto comum e que não traz um elemento realmente único. E o pior, o de não por os créditos do fotógrafo, como se esta fosse de autoria do jornal, o que sabemos que não é, já que ela aparece nos três periódicos.
A questão ser ressaltada é que dificilmente isso foi um erro, pois os três jornais foram publicados em datas diferentes e é dever do jornalista e do jornal, de modo geral, estar atento a isso. Mais ainda, as três notícias são apologéticas, fazem campanha declarada a um candidato (o que ganhou a eleição).
Fica para o leitor perceber como é a corrida por um espaço no jornal, de forma que pensemos o crédito que você mesmo dá ao que lê e o impacto que isso tem para a sociedade.

Helder Mourão

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Experiência sexual não é critério para qualificar estupro!



“Jovens acusados de estupro ficarão presos por 45 dias”. Essa é uma das matérias principais do Jornal Da Ilha na edição do dia 14 de agosto de 2011. Apesar do destaque na capa do informativo, não foi dada a devida atenção ao assunto.
O texto, escrito em três parágrafos, apresenta erros ortográficos e termos repetitivos. A palavra “espançaram”, no segundo parágrafo, indica a falta de revisão. Além do uso excessivo da palavra “menor” que dificulta o esclarecimento de forma satisfatória ao leitor. No entanto, não são os erros técnicos que chamam atenção, o mais grave corresponde a um dos argumentos usados pelo repórter para indicar a seriedade do fato ocorrido.
O último parágrafo inicia com a frase: “Ela contou à polícia que ainda não tinha tido experiências sexuais...”. Então, quer dizer que se fosse diferente o crime teria menos relevância? Bem, trata-se de um estupro e é importante deixar claro que essa informação não torna o que aconteceu menos ou mais grave.
O texto tem como origem o Sistema Alvorada, o que pode explicar a utilização de tal argumento, devido questões ideológicas. Porém, a tentativa de qualificar o estupro em graus de gravidade reforça estereótipos machistas, cujo resultado pode ser a noção de que as garotas que já iniciaram a vida sexual sofrem menos – frente a um crime desse porte - do que as virgens.

Karine Nunes

A difícil pauta da segurança em Parintins



Na edição do dia 14 de agosto de 2011, o Jornal Repórter Parintins publicou uma reportagem intitulada “Caos na segurança pública”, tendo logo abaixo um subtítulo “Proteção: agora é cada um por si”. É o segundo que vem ser o motivo de nossa análise.
A notícia começa informando sobre a oferta do comércio local de produtos de segurança e do alto índice de venda de tais produtos nos últimos anos. Além disso, ressalta que não é qualquer um que pode usufruir de tal “proteção”, pois esses produtos têm um custo muito alto.
No quarto parágrafo entra a fala do professor da UFAM Gerson Albuquerque, que aponta para a questão da educação de qualidade, inclusão social, geração de emprego, ressaltando que esses setores seriam uma alternativa para diminuir a violência e a criminalidade.
 Percebe-se que a noticia tomou outro rumo, começa falando do aumento na compra de produtos de segurança e termina falando da educação. Evidente que os assuntos estão relacionados, mas, de alguma forma, poderiam ter maior credibilidade se estivessem sido tratados separadamente. O repórter poderia ter aprofundado um pouco mais na questão da tentativa de diminuir a violência em Parintins por meio de um planejamento que privilegiasse a prevenção ao invés da repressão, como cita o professor. Só esse tema já daria assunto suficiente para mais entrevistas e dados, o que ajudaria na reflexão do professor.
Houve o uso de apenas duas fontes sendo que a fala da segunda ocupou consideravelmente os três últimos parágrafos. Vale ressaltar que ao lado da noticia aparece a foto do delegado, que não foi citado em nenhum momento na noticia.
O jornal deveria atentar um pouco mais para tais falhas, e abordar um assunto como esse de extrema importância, que é segurança pública, de forma mais aprofundada, buscando ouvir outras fontes, abrindo espaço para outros pontos de vista, chegando assim a uma cobertura bem elaborada.

Tuanny Dutra 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Afinal, o que é isso tudo?



Na edição de 17 de agosto o jornal Plantão Popular publicou a seguinte notícia: “Rebanho bovino ganha novo status em relação à aftosa”. Reparem que o título diz “GANHA”, mas logo no começo da notícia esta escrito “Os pecuaristas de Parintins esperam com ansiedade a mudança no Status do rebanho local em relação à aftosa.”  O que apresenta uma contradição entre o título e o texto.
Adiante é dito que esse status será “elevado para médio risco”. Quero, antes de continuar, que o leitor pense no que vem à sua mente sobre o termo médio risco. Depois o jornal ainda diz que isso é uma elevação de status, supondo-se ser algo bom, ou não.
No final do segundo parágrafo está escrito o seguinte “Com a melhoria da classificação, os pecuaristas de Parintins poderão vender animais para outros estados sem restrições, como acontece atualmente.” Peraí!! Eles poderão vender animais para fora, ou isso já acontece? Como é possível haver uma contrição tão grande em tão pouco texto.
Afinal que status é esse e como funciona? E qual informação é de fato o que acontece? Nesse ponto o jornal trouxe praticamente duas notícias distintas em apenas um espaço, e não explicou NADA. Há apenas um monte de informações confusas.

Quem esta falando?
Adiante o texto põe uma avaliação do presidente da Associação dos Pecuaristas de Parintins, outro mistério que só é solucionado se o leitor já souber que é o presidente (ou se ele gostar de enigmas da língua portuguesa para sair buscando na leitura quem é este). O ultimo parágrafo inteiro é a fala de alguém também, mas quem? Novamente se você gosta de brincar com enigmas da língua portuguesa aí esta sua chance de brilhar, pois, além disso, os três últimos parágrafos da notícia (quase todo o texto) são inteiramente de falas das fontes, problema já exposto aqui nos textos da série “Fale e será notícia”.
Com isso o leitor consegue ler a notícia e não ser informado de nada, nem de quem esta falando...


Helder Mourão

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Cadê a credibilidade?



Nas últimas semanas o Jornal da Amazônia, que é o informativo radiofônico do Sistema Alvorada de Comunicação, começou a fornecer aos ouvintes a meteorologia da cidade de Parintins. E sabe-se que o município não tem sistema meteorológico apto para dar informações precisas sobre a previsão do tempo.
O jornal informou que Parintins marcava 40º Celsius, o rádio deu esta informação e não citou de onde eles tiraram esse dado e a população recebeu esta notícia sem saber de onde foi extraída. Como saber ao certo? De onde os profissionais retiraram essa informação? 
Não cabe aos jornalistas deixar dúvidas aos seus receptores e, sim, esclarecer e apurar ao máximo todas as informações contidas em uma pauta. No jornalismo é de fundamental importância o uso das fontes para que o repórter possa ter subsídios para solidificar sua matéria.
   Segundo Jorge Pedro Sousa, um importante estudioso do Jornalismo, “a recolha de informações baseia-se na investigação. Obviamente, as informações não podem ser apenas recolhidas. Também devem ser verificadas e contrastadas, para serem, posteriormente, processadas”.
Sendo o rádio um dos veículos de maior audiência no município de Parintins esse erro não pode ser tolerado. O veículo não deve deixar a desejar quando se trata da escolha das fontes, da apuração das notícias e a edição das matérias.
O Jornal da Amazônia - que se intitula como “Jornalismo de maior credibilidade no rádio Amazonense” - deve finalmente assumir uma postura profissional e ter maior responsabilidade para com os seus receptores.

Yasmin Cardoso

Ensaio de boas-vindas!



Entra em circulação no município de Parintins mais um jornal impresso, chamado Parintins em Foco, com produção quinzenal e vendido por um preço acessível e diferenciado dos demais jornais da categoria.
Mas fazendo uma análise geral da produção jornalística do novo jornal, há pontos que chamam atenção do leitor, como é o caso do editorial da 1º edição e também os procedimentos que foram utilizados em algumas notícias.
Em relação ao editorial, o que mais chama atenção é a palavra juramento no trecho “Mas o que é a verdade? Os veículos e profissionais da comunicação cumprem esse juramento e compromisso?”. Quando se vê esse enunciado, relembra o juramento que o profissional de jornalismo faz no dia em que se forma, mas no modo como está posto mais parece uma jura sobre a bíblia e que se não for cumprida torna-se um ato pecaminoso. Eis a dúvida: será este mais um jornal cristão?
Além disso, o jornal ainda cita em seu editorial que ficará próximo da realidade e necessidades do povo. Agora, só resta esperar as próximas edições e verificar este juramento e compromisso, como o próprio jornal achou conveniente esta colocação.
Seguindo a análise, há ainda no corpus do jornal duas notícias que apresentam títulos entre aspas, em que neste caso significa a fala de alguém. A primeira notícia é “Câmara conhece a realidade da saúde” e a segunda “Faltou documento da empreiteira”, mas o que acontece é que durante toda a narrativa do texto da primeira notícia não é possível identificar de quem é a citação exposta no título. E outra, o título que está entre aspas, no mínimo, deveria estar identificando quem pronunciou esta fala.
Ainda na primeira notícia, aparece uma imagem que mostra o presidente da Câmara Municipal de Parintins (CMP), Juscelino Melo Manso, na qual está perceptível que a fotografia foi manipulada, ou seja, na imagem aparece ao lado de Juscelino o promotor André Seffair e outro indivíduo, mas para dar destaque somente a Juscelino, o jornal descoloriu os demais componentes da foto, dando destaque de cor somente ao presidente da CMP. Esta atitude foge às normas da prática jornalística, pois o jornal poderia ter identificado Juscelino na foto ou até mesmo ter tirado uma fotografia somente dele, já que a notícia são somente relatos de Manso sobre as condições precárias da saúde no Hospital Jofre Cohen.



Hanne Caldas

Olhando de longe!


Na edição de 20 a 26 de agosto o Jornal Novo Horizonte publicou uma notícia com o seguinte título, “Greve dos técnicos ameaça continuidade dos trabalhos na UFAM”.
Pra começar, ênfase toda da notícia se restringe aos problemas que a greve dos técnicos tem trazido aos serviços necessários para os acadêmicos e professores da UFAM sem buscar um entendimento mais aprofundado sobre o assunto. No geral, dando um enquadramento muito pessoal à greve, como se ela fosse de interesse único dos técnicos.
Como dito na notícia, mesmo os alunos já entraram em greve e há um indicativo para os professores a deflagrarem, mas que apoiam os técnicos, tudo de forma superficial sem que o leitor saiba realmente quais os problemas que se passam no instituto.
A abordagem que a notícia traz é muito longínqua da realidade, nenhuma fonte é citada, os representantes da greve e do apoio a esta não tiveram voz para explicar a necessidade da greve e muito menos fora dito o motivo real disso tudo, pois a greve apenas parou alguns serviços que já estão precários em função da falta de investimento do governo e mais ainda, do possível congelamento de salário por 10 anos.

Helder Mourão

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Desinformação no espaço de interação!

      Na edição nº 294, do dia 21 de agosto de 2011, o Jornal da Ilha publicou na editoria de Educação e Cultura, uma notícia intitulada “Escola Dom Gino lançou seu blog”.
      A notícia relata como foi a programação voltada ao dia do estudante que aconteceu na escola Dom Gino. E entre as atividades desenvolvidas, houve o lançamento do blog do estudante “Dom Gino”, como cita o próprio título.
       Durante todo o relato da notícia o autor mostra quais foram as atividades desenvolvidas com os alunos, aponta os criadores do blog e seus apoiadores, deixa claro quais são os objetivos do blog, cita quem estava presente no lançamento do produto, e conclui a notícia elogiando os alunos em relação ao orgulho destes pela escola.
      Como o público leitor vai poder acessar este espaço de interação? Faltou a  principal informação: o endereço do blog. Mas aqui vai uma dica à equipe do Jornal da Ilha: toda vez que for realizada uma notícia na qual o leitor precise se situar como, por exemplo, saber como chegar a determinado sítio online, é muito fácil: basta citar o endereço eletrônico.
       Portanto, para todos que interessarem-se em conhecer melhor o blog do estudante “Dom Gino”, é só acessar: http://blogdoestudantedomgino.blogspot.com/ . E boa leitura!

Hanne Caldas