sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sensacionalismo na veia!



Na edição nº 178, do dia 28 de setembro, o jornal Plantão Popular traz a notícia intitulada “Estudante atingido por zagaia ao tentar agredir horticultor”. Esta é a matéria principal da página, que relata o fato de um rapaz que foi agredido por um utensílio de pesca.
Trata-se de uma notícia um tanto confusa, pois no primeiro parágrafo o repórter relata que a vítima (Edy Carlos), no dia em que sofreu a agressão, teria ido à residência de sua namorada, e estava armado com um terçado. Já no segundo parágrafo, o autor relata que Edy Carlos, por estar alcoolizado, teria se desentendido com a namorada porque “provavelmente” queria terminar o namoro, daí foi em casa se armar e retornou para o acerto de contas. O que deixa a dúvida: o rapaz, antes de ir pra casa da namorada já estava armado? Ou somente depois que eles se desentenderam?
Mas o que chama atenção do leitor nesta matéria é a imagem utilizada, pois, mais uma vez o jornal publica uma foto inadequada, ou seja, mostra uma foto bem de perto de Edy Carlos com a zagaia cravada em sua cabeça.
A imagem desperta atenção imediata e provoca impacto nas pessoas, mas o difícil é encontrar um sentido jornalístico para esta foto, pois o que fica perceptível é o sensacionalismo e a espetacularização da vítima estampada para impressionar o público.
Portanto, mais uma vez, o jornal, além de mostrar uma imagem inadequada em que expõe a vítima, ainda apresenta um texto um tanto confuso, que não esclarece ao leitor o real motivo pelo qual aconteceu a agressão, pois vale ressaltar que na notícia, quando o autor escreve a palavra “provavelmente”, parece que ele não tem nenhuma certeza de nada sobre o acontecimento...


Hanne Caldas


Na falta de algo, vamos agendar!


 
O Jornal Alvorada da TV, no dia 22 de Setembro, trouxe uma notícia um tanto fora do tempo. A matéria trata do Aniversário do parquinho de Parintins, Pichita Cohen.
O estranho de a informação ter se tornado notícia é o fato do aniversário do Parquinho ser apenas em outubro, junto ao dia das crianças. A matéria não mostrou nenhuma informação que justificasse o motivo da antecipação.
Ao entrevistar o responsável pelo parquinho, este apenas falou um pouco sobre a possível programação do aniversário e também não identificou uma necessidade do evento estar sendo lembrado agora, tão antes da data. Falta de notícia não deve ser confundido com critério de noticiabilidade... 

Helder Mourão

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sempre o lado ruim

A concentração foi iniciada em frente à Universidade de Santiago  Foto: EFE


A edição de 21 de Setembro do Jornal A Crítica trouxe uma notícia intitulada “Chile: 70 mil vão perder ano letivo”. Na linha de apoio, também chamada de subtítulo vem escrito: “Piñera tenta acabar com quatro meses de protestos”.
Para percebermos que a notícia só vai mostrar um lado, no chapéu, que é composto por no máximo três palavras acima do título, que identificam de modo geral a notícia, está escrito “PRESIDENTE ANUNCIA”, ou seja, a notícia é um anuncio do presidente do Chile. Está escolhido o lado.
A matéria mostra apenas a tentativa do Presidente chileno, Piñera, de acabar com as paralizações e protestos estudantis. O jornal apresenta dados jogados a favor do presidente, como o fato de serem apenas 2% de estudantes do ensino médio que correm o risco de repetir a série por estar nas mobilizações.
Outro dado apresentado é que os estudantes são culpados por perder o ano letivo, pois não se inscreveram no plano do governo para recuperar as aulas perdidas. E em nenhum momento é citado a real necessidade da paralisação e dos movimentos. Para fechar a notícia, o ultimo dado é a queda de popularidade do presidente, que registrou a menor desde que o Chile retornou a democracia.
Para fechar, a foto que ilustra a notícia também não mostra nada relacionado ao tema. Apresenta uma foto posada do presidente batendo palmas - e ainda portando a faixa presidencial...

Helder Mourão

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O outro olhar da notícia?


A edição do Plantão Popular do dia 15 de setembro traz a notícia “Nova invasão avança em Parintins em propriedades particulares”.
 Para fazer referência aos envolvidos no assunto, o repórter utiliza de termos como “invasores” (leia o texto abaixo), se munindo da declaração de uma fonte não identificada, denuncia que existe um grupo de pessoas que se aproveitam da miséria humana: “os cabeças das invasões estão muito bem de vida, porque sempre ganham dinheiro, sem trabalhar. Eles vivem à custa da politicagem...”.
 Percebe-se durante todo texto a construção de um discurso que coloca os envolvidos como vilões da história, um enquadramento negativo do assunto. É comum essa abordagem nas coberturas jornalísticas sobre ocupação de terras. Geralmente verifica-se a prioridade do texto em destacar quem está certo ou errado, é estabelecido um pré-julgamento.
O mesmo informativo publicou, na edição do dia seguinte, 16 de setembro, a matéria: “Promotor diz que invasores cometem crime ambiental”. A cobertura adotada é a mesma, isto é, condenando os ocupantes do loteamento.
O interessante seria se o jornalista buscasse enfatizar uma pauta social. Buscar conhecer os verdadeiros motivos que levam essas pessoas a ocuparem o local, questões como o crescimento desordenado da cidade, a falta de moradias e as condições de sobrevivência, em geral.
Quanto ao “crime ambiental”, o resgate de discussões como a criação do Residencial Vila Cristina, por exemplo, poderia ser relevante. Afinal, esse caso não foi uma agressão ao meio ambiente? O que torna a nova ocupação uma situação mais grave? Se há mesmo uma “indústria das invasões”, como é citado no texto, mostrar quem são os “cabeças” do movimento, ou no mínimo os acusado, daria mais credibilidade à informação.
Portanto, o periódico, que se intitula: “O outro olhar da notícia”, apenas repete a abordagem comum de outros jornais do município. Usam uma pauta pronta que criminaliza os participantes da ocupação.

Karine Nunes

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Invasão ou ocupação?

 
Discutir semântica no jornalismo? Essa é uma das primeiras questões (mesmo que indiretamente) que salta na cabeça de jornalistas, políticos, religiosos e pessoas em geral quando criticados pelo uso do termo invasão ao invés de ocupação.
A discussão sobre os sentidos que estas palavras revelam são realmente muito apropriadas. Porém, muito mais que isso, é necessário também discutir os valores ideológicos que permeiam esses dois termos usados principalmente em períodos como o que viveu Parintins no início de setembro de 2011, quando alguns terrenos do bairro Itaúna foram ocupados (invadidos).
É no sentido de estimular questionamentos sobre a temática que este texto apresenta uma análise do uso do termo invasão no folhetim Plantão Popular (Edição do dia 16 de setembro de 2011), mas que também se aplica a outros veículos do município de Parintins.

Abordagem do Plantão
Na edição são usados 6 (seis) vezes o termo invasão e outras palavras da mesma raiz como  invadir/invasores/invadidas e usou-se apenas uma vez a palavra desocupação que é o oposto de ocupação. Além de empregar o termo invasão de modo a criminalizar o movimento social, as matérias também enfatizam tal ideia ao enunciar que os manifestantes estão cometendo crimes ambientais.
Outro entrave na edição é a apuração da notícia. As informações são verificadas por meio de fontes oficiosas: o Ministério Público, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (SEDEMA) e a Policia Militar e um morador que se sente prejudicado. Percebe-se que o folhetim não apresenta a fala de manifestantes e líderes do movimento.
As fotos expõem apenas as queimadas no terreno, o morador que reclamou da ocupação e as fontes oficiais no meio da multidão. Em nenhum momento mostram a precariedade vivida pelos manifestantes, por exemplo.
Em resumo, a edição induz a seguinte sequência de pensamento: baderneiros invadem a terra >> cometem crime ambiental>> são injustos por não pagarem pelas terras>> fazem parte de uma “indústria de invasores” (termo usado na notícia), ou seja, vão invadir mais terras>> merecem ser expulsos e presos. 

Reflexão
Algumas visões sobre os movimentos sociais são compartilhadas massivamente.  No senso comum haverá, e muito, o discurso de que a tentativa de apropriação do espaço é um ato desonesto, pois é difundido que todo manifestante não trabalhou para conseguir determinado espaço. Os próprios manifestantes vêem o ato desta forma, pois como dito, já é senso comum. Porém o jornalismo não existe para repetir o que foi dito, mas para além de informar deve cumprir também a função crítica na sociedade para qual existe.
É necessário revisitar o dicionário Houaiss para verificar que invasão tem o significado de invadir terreno ocupado ilegalmente, ou seja, o significado mostra a ilegalidade do ato. Já ocupação é o modo de aquisição de propriedade sem dono, ou abandonada, ou seja, diminui o sentido ilegal do termo anterior. É com esta visão que Cortina e Marchezan afirmam que “toda invasão pressupõe uma ocupação, mas a recíproca não é verdadeira. Entre elas, há uma acentuação de força, ou de ilegalidade – a invasão evoca ilegalidade” (2004, p. 42).
Cortina e Marchezan continuam a reflexão orientados pela relação entre produtividade da terra, duração e ocupação, ou seja, uma ocupação prevê um tempo de permanência definitiva em uma terra e uma invasão é só provisória, por isso que quem lucra com valores fundiários luta para que sempre haja uma duração mínima nas tentativas de ocupação.
É nesse sentido que é indispensável compreender o nascimento das lutas sociais, em especial os conflitos por terra, entender que por trás do senso comum de dizer que tudo vai ser resolvido com uma canetada há o direito da habitação e do trabalho também previstos na Constituição.
Enfim, usar o termo ocupação no lugar de invasão não é só uma questão de estética no jornalismo. É de reflexão.   

Sue Anne Cursino – bacharel em Comunicação Social/Jornalismo pela UFAM


HOUAISS, Minidicionário da Língua Portuguesa/ organizado pelo Instituto Antônio Houaiss de Lexografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa S/C Ltda.- 2.ed.rev e aum.- Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

MARCHEZAN; CORTINA, Razões e sensibilidades: a semiótica em foco. Araraquara: Laboratório Editorial/FCL/UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica Editora, 2004. 

Que bicho é esse?


Nas edições de sábado, 3 de setembro e sexta-feira, 9 de setembro, o jornal Plantão Popular trouxe como uma de suas matérias principais a praga chamada Mosca da Carambola. Na primeira edição, 3 de setembro, o título é “Mosca da carambola afeta importação de frutas do Pará” e na segunda, 9 de setembro, o título traz “Mosca da Carambola: tomate e laranja na mira dos fiscais”.
Nas duas notícias o repórter dá ênfase às vozes oficiais como a do secretário municipal de produção e abastecimento, Lucivaldo Pereira, e a gerente da Comissão de Defesa Sanitária, Animal e Vegetal do Amazonas, a veterinária Mara Ferreira, em que ambos falam que já montaram barreira de fiscalização e que é o momento de valorizar a produção local.
Mas em nenhum momento o jornal apresenta uma outra fonte, como um técnico falando sobre o assunto, um agricultor, feirante ou até mesmo o consumidor, para constatar se estas mercadorias não estão chegando às feiras e se realmente está havendo o incentivo à produção local.
O interessante a ser observado, também, é que nas duas notícias apresentadas, nenhuma delas esclarece ao leitor o que é essa praga chamada Mosca da Carambola, por que afeta outras frutas, verduras e legumes, quais os riscos do ser humano entrar em contato com essa praga, como o consumidor pode identifica-la nos produtos afetados, entre outros fatores a serem explorados para melhor entendimento do leitor.
Apesar de ter esse nome “Mosca da Carambola”, essa praga afeta frutas como goiaba, manga, jambo, taperebá, caju, jaca, tomate, laranja, entre outras. Além disso, segundo as notícias apresentadas, os principais vetores para a propagação das larvas não é a carambola, mas sim a laranja e o tomate, o que deixa mais dúvidas pairando no ar. E para completar a confusão, no final da notícia do dia 3, ainda tem a fala da gerente da Comissão de Defesa Sanitária, Animal e Vegetal (Codesav), Mara Ferreira, que diz ser necessário ter outra rota de acesso até os estados fornecedores (Pará, Bahia e São Paulo) solucionarem o problema. Mas peraí, a praga não foi encontrada no Pará? O que a Bahia e São Paulo têm haver com isso?
            Enfim, mais uma vez as notícias não foram suficientes para esclarecer os fatos ao leitor e a prática jornalística não apresentou a finalidade de ser uma forma social de conhecimento, gerando mais dúvidas do que esclarecimentos.

Hanne Assimen

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Exposição e o cúmulo da parcialidade

 



A edição de 17 a 23 de Setembro do Jornal Novo Horizonte traz um gênero pouco usado no jornalismo de Parintins, o perfil. Este é um gênero opinativo do jornalismo e destaca-se por informar e trazer breves opiniões sobre uma pessoa específica. O Gênero detalha a pessoa nos aspectos importantes para o jornal naquele momento, que pode ser sua vida, seu trabalho ou outra informação pessoal. O destaque aqui não é motivado pelo jornal trazer um perfil, mas pela abordagem que tenta mostrar claramente um individuo nos seus aspectos negativos.
Intitulado “Quem é Rafael?”, o texto tem o objetivo de explorar a figura de Rafael Silva, acusado recentemente pela morte de Omar Faria. Como se não bastassem todos os problemas do jovem, que é acusado, mas não culpado ainda, o jornal traz à tona a vida, coisas intimas e pessoais de Rafael, que independente do parecer de condenação ou absolvição já estará detalhadamente explorado pela mídia.
A “inocência” ou NÃO do jornal que explicitou o rapaz dessa forma de certo não terá o mesmo poder de reverter à situação desse relevo dado à figura de Rafael. Outra boa pergunta para o leitor ficar atento é a seguinte: esse caso teria a mesma repercussão e esse mesmo espaço no jornal se a vítima fosse desconhecida, não tão popular como esta?
Vale ressaltar que outros casos de assassinatos homofóbicos aconteceram recentemente em Parintins e basta olhar os jornais, não apenas esse, para ver o enquadramento e como o tema rapidamente foi esquecido.

Dando uma de polícia e justiça
Se não bastasse o enquadramento dito acima, o jornalista responsável pela matéria parece que a escreveu inspirado em linguagem policial, assumindo tons de investigador. Basta ler o texto e observar que ele logo deixa de ser um perfil e o jornalista começa a discutir a importância e o descarte das fontes usadas na investigação.
Levados pela parcialidade e a falta de fundamentos para montar a identidade que o jornal quer, eles ainda trazem como fonte (lembrando que em perfil não se usam fontes) seu próprio cinegrafista, com a seguinte colocação: “Se realmente foi ele que tirou a vida do Omar ele se parece ser muito frio”.
Com isso, fica clara a intenção de tentar mostrar um enquadramento balanceado, mas que realmente evidência a intenção do jornal em mostrar um rapaz frio e calculista, praticamente julgando-o culpado.

Helder Mourão

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

“Fale o que quiser!"



            Dedicada quase que exclusivamente para mostras o lado ruim da ocupação de terra em Parintins, a edição do 16 de setembro do jornal Plantão Popular traz uma matéria denominada “Professor vê desrespeito ao trabalhador”. Matéria essa que tem o objetivo de ser uma espécie de espaço para que o professor Márcio Farias fale tudo o que pensa sobre o movimento dito “invasor”.
            A matéria é utilizada como um instrumento de desabafo, visto que ela é constituída, em sua maioria, por falas de Márcio. Isso nos remete a ideia de que o repórter, para não perder a entrevista, usou tudo o que foi dito pelo educador  para servir como uma espécie de preenchimento da página.
            Mostrando só os aspectos negativos do movimento, essa edição mostra que o “O outro olhar da notícia” do jornal Plantão Popular foi por “água abaixo”, pois o veículo só busca criminalizar a ocupação, deixando de levar em consideração a falta de políticas públicas voltadas para a construção de moradias a pessoas com a mínima condição financeira para construir sua própria casa.
            Quando o entrevistado diz que, “uma vez mantida a invasão, nunca mais teremos o sossego que buscamos quando optamos construir nossas casas para dar qualidade de vida às nossas famílias”, ele demonstra seu lado preconceituoso quanto aos ocupantes. Com essa fala, ele diz nas entrelinhas que, com a chegada desses novos moradores, a tranqüilidade do local ficará comprometida.
            Analisando de forma rápida a edição, percebe-se que o jornal vem com o claro objetivo de atacar o movimento, visto que só usa fontes que vão contra a mobilização. Além disso, nenhum ocupante foi entrevistado, demonstrando que o jornal não vê “os dois lados da moedas”, afinal os ocupantes são criminalizados do começo ao fim.

Daniel Sicsú