quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Povo sujo?! Água limpa?!


O Novo Horizonte na edição de n°967 apresentou uma matéria intitulada “Males do estômago enchem hospitais”. A notícia trata do grande número de pessoas que procuram as unidades de saúde apresentando sintomas de doenças estomacais, congestionando os corredores de algumas unidades. Outra informação é que a causa das doenças dos pacientes “pode estar relacionada a falta de higiene, visto que a água na cidade é relativamente de boa qualidade”.
Esta informação foi dada por Romualdo de Castro, um médico que atende no Hospital Padre Colombo. Este, foi a única fonte ouvida.
Um fator que poderia ser questionado e apurado pelo repórter é a qualidade da água e dos serviços prestados pela fornecedora, assim como esgoto a céu aberto, a falta de saneamento básico e até as chuvas torrenciais na região, que levando em conta as outras precariedades já citadas, vem a aumentar os riscos de pessoas contraírem doenças pela água. A notícia se voltou apenas para a opinião do médico. Usuários da saúde pública deveriam ser ouvidos afim de expressarem suas opiniões a respeito dos serviços públicos e da qualidade da água em Parintins, assim como especialistas na área poderiam ser entrevistados. Uma angulação mais abrangente teria mais fundamentação e daria mais valor a própria população que no texto aparece como não tendo higiene e está contraindo doenças estomacais em virtude disso.
O exagero de períodos curtos no primeiro parágrafo do texto podiam ser sintetizados em frases mais longas e melhor arrumadas. Nota-se também a ausência de acentos em algumas palavras.
O jornalista deve prezar pela melhor informação ao seu público, principalmente quando esta se trata de interesse da população em geral, como na notícia do Novo Horizonte. O papel social da profissão influencia não só a qualidade do material jornalístico mas também pode levantar questões sociais afim de que a cidade seja melhor para todos.

Gustavo Saunier

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Dessa vez nem o face escapou




Na pagina 3 do Jornal Plantão Popular, no caderno de Cidade do dia 13 de fevereiro de 2013, o sensacionalismo ganhou espaço. O site de relacionamento facebook vem como vilão da história. Segundo o jornal, um pai chamado Paul Baier firmou um contrato com a filha Rachel, que tem apenas 14 anos e é viciada no site, para que ela deixe de acessar a rede social. Não tendo o controle da vida virtual da filha e não vendo outra solução, o pai paga o valor de US$ 200 para a menina deixar de acessar o face por seis meses.
A matéria é bem irônica no começo, levando os pais a pensarem o que fazer para os filhos não ficarem muito tempo na frente do computador e o texto apresenta argumentos para uma possível solução. Outro ponto no texto que chama atenção é a autoria da notícia. De onde essa matéria foi retirada? Eu não sei, mas é bom dá próxima vez  colocarem as devidas informações sobre a origem dessas informações.

Tiago Barbosa

Qual a fonte das notícias?




          O jornal Plantão Popular tem como prática a publicação de matérias já publicadas em outros veículos. Isso já se tornou tão comum que, algumas vezes, o periódico não cita de onde foram retiradas as notícias. Exemplos disso podem ser encontrados na edição do dia 13 de fevereiro.
             Primeiramente, há a divulgação de uma notícia acerca da Campanha da Fraternidade 2013. O texto faz uma abordagem sobre qual o tema e lema da campanha, e os objetivos da igreja com a mesma. Não há como saber se o texto foi feito por algum repórter vinculado ao jornal, ou se ele é oriundo da assessoria da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tendo em vista que não explicita-se quem é o autor do texto.
            Outra matéria que não possui autoria é a intitulada “Bento XVI surpreende ao anunciar renúncia”. Ao ler todo o texto, pode-se observar que ele é oriundo de assessoria. Isso fica mais claro ao observar as fontes citadas na notícia. Um jornal de Parintins não teria condições logísticas para entrevistar um cardeal, e, além disso, o texto possui vários termos que são comumente utilizados por autoridades da Igreja Católica.
         A publicação de matérias advindas de fontes desconhecidas pode caracterizar o jornal como plagiador, tendo em vista que o mesmo, em alguns casos, não põe em evidencia de onde retirou o material publicado. Assim, o leitor pode ser lesado por não saber se o texto é do próprio periódico ou se foi retirado de algum site, agência de notícia ou de outro jornal.

Daniel Sicsú

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O outro lado de um homicídio

        Publicada no dia 2 de fevereiro, no jornal Plantão Popular, a matéria intitulada “Matou ex-companheiro para se livrar de agressão” trata de um homicídio com uma perspectiva diferenciada. Ao invés de criminalizar a autora do crime, a notícia traz à tona os fatores para que ela desferisse três facadas no seu ex-marido.
               A matéria evidencia que a autora do crime procurou a polícia diversas vezes para denunciar seu ex-companheiro por agressão física. Porém, nas diversas vezes que ela procurou a delegacia, nenhuma medida concreta foi tomada. O texto explicita essa falta de interesse da polícia em resolver o caso, o que acaba descaracterizando a mulher como criminosa. Ela adquire, assim, caráter de vítima, tendo em vista que agiu por legítima defesa.
                É inevitável ler o texto e não se perguntar por qual razão as medidas não foram tomadas para que não ocorresse o homicídio, e por que, apesar de todo o apelo da mulher, a polícia não procurou meios para que não houvesse a reaproximação dos dois. Nota-se que o enquadramento dado à notícia põe em xeque o trabalho realizado pela delegacia de mulheres, pois mostra que o assassinato só ocorreu pelo fato de a polícia não dar importância às denúncias de agressões que a mulher fez. Esse aspecto, contudo, merece maior amplitude nos jornais da cidade, e no próprio Plantão.

Daniel Sicsú

Falta precisão no relato

Na edição do dia 6 de fevereiro de 2013 o jornal Plantão Popular trouxe como manchete a seguinte chamada: “Vítima de Tráfico Humano no Caburi resgatada em Manaus”. A notícia relata o caso de uma menina de 14 anos que afirma ter sido dopada ao pedir um copo d'água em uma casa na agrovila do Caburi.
O que chama atenção nesta notícia são alguns dados elencados, pois é possível encontrar um trecho que consta: “Segundo informações do Conselho Tutelar, a menina pediu água em uma residência e “apagou”, só acordando em uma casa fechada onde permaneceu até ser orientada por telefone (pelos conselheiros tutelar de Parintins) a fugir no final da tarde de segunda-feira”.
Se a menina estava numa casa fechada e se realmente ela foi traficada, será que seus vilões teriam deixado algum meio de comunicação tão acessível para ela entrar em contato com os conselheiros? E como ela encontrou o número do Conselho Tutelar de Parintins? E como conseguiu fugir se ela estava sendo vigiada?
A notícia também expõe informações muito repetitivas, não havendo um maior aprofundamento sobre o caso ocorrido. Outra interrogação é a própria transferência da menina, pois como ela ficou dopada desde o Caburi até Manaus sem que ninguém percebesse? Qual o papel da garota nessa trama?
Além dessas dúvidas, o jornal também não apresenta a versão dos pais da garota, pois o pai aparece somente no seguinte trecho: “O pai da adolescente foi surpreendido pela mensagem da filha, pedindo socorro, que era mantida prisioneira em uma casa, mas não sabia onde estava, em que cidade...”.
Neste sentido, os pais poderiam ajudar com informações importantes como: se estava tudo bem entre a menina e sua família; desde que dia a menina sumiu; depois de quanto tempo de seu sumiço, quando ela mandou mensagem para o pai; dentre outros questionamentos relevantes, mas que o jornal não abriu espaço.
Portanto, faltou um pouco mais de aprofundamento sobre este caso, principalmente no que diz respeito a ouvir outros relatos para se chegar a uma conclusão, mas espera-se que este jornal consiga trazer ao leitor outros desdobramentos sobre o acontecimento e assim esclarecer algumas dúvidas dos seus leitores.

Hanne Assimen

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A busca pelos culpados não resolve o problema!


No dia 6 de Janeiro o jornal Repórter Parintins trouxe uma pequena notícia intitulada: “Pais enfrentam fila para matricular filhos”. Essa matéria trouxe uma discussão em torno da dificuldade que os pais dos alunos do ensino infantil enfrentam para conseguir uma vaga, sendo preciso que passem dias em filas na frente das escolas.
O principal questionamento aqui gira em torno de uma discussão que não é feita pelo jornalista. Quem mora em Parintins sabe que há muitos anos o modo de conseguir uma vaga para o ensino infantil acontece deste jeito. Todo início de ano há filas enormes na porta de algumas escolas como o Gurilândia, Aurora e Alvorada.
Acredito que não cabe na notícia à busca pelos culpados, mas sim fazer uma problematização em torno da configuração da educação infantil em Parintins. Por que é preciso os pais ficarem nas filas? Será que não há centros infantis suficientes? Ou será que nem todos eles são de qualidade?
Outro ponto da notícia que merece ser dito é a questão de não ter como fonte a fala dos gestores das escolas, nem do secretário de educação do município. Só há a fala dos pais das crianças, o que prejudica uma visão mais ampla do que está de fato acontecendo.
Por fim, a notícia merecia mais destaque dentro do jornal, justamente para que pudesse ser feita uma maior discussão em torno desse assunto. Mas, fica a dica para os jornalistas de Parintins que façam uma matéria discutindo a educação infantil dentro da cidade e se possível fazer um mapeamento das escolas mais procuradas pelos pais e o porquê dessa busca incessante especificamente por estes centros infantis.


Yasmin Gatto Cardoso

Problema social ou caso de polícia?



Na edição referente ao dia 27 de Janeiro de 2013, o jornal Repórter Parintins publicou uma notícia intitulada “Líderes da invasão cobram apoio do prefeito Alexandre”. Trata-se de um texto em que um líder do movimento de ocupação das casas populares e lotes do bairro Pascoal Allágio, cobra a atenção, bem como o acompanhamento, das autoridades ao caso.
O repórter expõe em todo relato do texto uma imagem criminal do movimento social; utilizando inúmeras vezes o termo “invasores” para um grupo de ocupantes que se mobilizaram em prol de uma moradia justa. Ora, será que eles ocuparam a área devido o município não oferecer garantias de emprego para que as famílias obtenham condições para comprar ou construir suas casas?
Já na edição do dia 3 de Fevereiro de 2013 do mesmo jornal, foi publicada outra notícia sobre o caso da ocupação, porém dando um maior enfoque a retirada dos “invasores” do local. A notícia intitulada “Polícia Militar monta operação de retirada dos invasores do Pascoal Allágio” fala sobre uma operação que foi montada - por equipe de militares, batalhão de choque, cavalaria e helicóptero - para fazer uma guarnição e vigilância nas entradas e saídas da área.
Neste caso, além do autor citar novamente, por diversas vezes, o termo “invasores”, ele o associa a um movimento de pessoas carentes, um movimento de sem-terra, a imagem de pessoas perigosas e violentas, pois para uma operação em que fora solicitado 400 militares, cavalaria, canil e helicóptero o que se imagina é uma verdadeira guerra, onde na verdade, pessoas apenas lutam por direitos.
Portanto, as angulações utilizadas nas duas notícias são tendenciosas ao criminalizar os “invasores” sem fazer uma discussão sobre o verdadeiro motivo de aquelas pessoas estarem ali naquela situação, e o que as levaram a realizar este movimento. O jornalista não procura trazer para o jornal o déficit de moradia em Parintins e também não dá espaço para que os próprios protagonistas da história relatem os seus motivos.
Kethleen Guerreiro Rebêlo


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Carnaval feliz e chapa Branca no Alvorada

Nas edições de 05 e 06 de fevereiro, o Jornal Alvorada no objetivo de construir a Parintins de nossos sonhos, veiculou seu jornal sem mostrar uma importante notícia e preenchendo o tempo do jornal com notícias sem critério e sem importância social.
Primeiramente lembremos que a não veiculação da notícia pode ter se dado ao fato de o Sistema Alvorada de Comunicação ter assinado um contrato, que envolve aportes financeiros, com a administração municipal.
A informação não veiculada é a denuncia do engenheiro eletrônico Paulo Teixeira de que os contratos de serviços e compra de materiais para a realização do carnaval estão sendo feitos sem licitações públicas.
A denúncia foi feita informalmente pelo engenheiro na noite do dia 1 durante reunião no Gabinete de gestão integrada de segurança pública (GGI). De forma oficial a denuncia fora feita no ministério público na manhã do dia 4, sendo que o Jornal Alvorada foi veiculado nos dias 5 e 6.
O jornal veiculou no dia 5 uma reportagem mostrando como estão os preparativos para o carnaval sem trazer notícia de fato, apenas informações clichê tais quais os bons e velhos “estamos ansiosos”; “será uma grande festa”; “vamos dar o máximo esse ano” e etc. A reportagem mostrou ainda que está tudo certo e pronto para a festa, tudo muito feliz. No dia 6 a mesma reportagem foi ao ar. Nessa mesma edição, ainda, outra reportagem sobre o carnaval foi veiculada, mostrando de outra forma um carnaval feliz e sem problemas.
De forma interessante e diferente, o jornal local das onze horas, veiculado no dia 5 pela TV Parintins (Globo) fez a mesma reportagem sobre os preparativos para o carnaval. Mas diferentemente, deu ênfase ao fato da pouca estrutura e condições de trabalhos nos barracões dos blocos, pois pouquíssimos tem sequer espaço coberto para trabalhar.
Esse clichê de cidade dos sonhos foi escolhido pela TV Alvorada, no dia 5, junto a matérias como a informação “em primeira mão” da divulgação da segunda lista de repescagem do vestibular da UEA, com mais de 1 minuto e 30 segundos, informação muito quente (ou não); a passagem dos agentes de saúde que estão averiguando sobre a dengue, coisa que às 8 horas da manhã já sabíamos visto que as visitas são feitas pela manhã; a notícia de um possível assassinato sem resolução; e por fim uma notícia sobre o conselho tutelar e a decisão de não deixar menores se apresentarem no carnailha, informação já publicada nas edições da semana que passou.
Novamente o Jornal Alvorada da TV repete uma matéria no dia 6. A matéria sobre a dengue, veiculada no dia anterior, é repetida na integra, inclusive com a mesma entrevista.
Tais notícias, segundo o critério do Sistema Alvorada, são mais importantes que um denuncia no ministério público e uma possível improbidade administrativa. Um denuncia tão desimportante que perdeu espaço para notícias repetidas e não foi veiculada nem com atraso.

Helder Mourão