domingo, 25 de março de 2012

Terror em Dez Minutos

Detalhe de obra do surrealista Salvador Dalí.



O termo sensacionalismo pode ser entendido como a “divulgação e exploração em tom espalhafatoso de matéria capaz de emocionar ou escandalizar; 2. uso de escândalos, atitudes chocantes, hábitos exóticos etc. com o mesmo fim”[1]. O Sensacionalismo utiliza-se de recursos gráficos (imagens, geralmente coloridas) e narrativos (linguagem coloquial exagerada) para atrair leitores. Nesta análise, o Jornal Dez Minutos será apresentado como um exemplo dessa prática.
O exagero é a característica principal na narrativa de matérias sensacionalistas. Termos de impacto são apresentados com o intuito de impressionar o leitor sobre o fato ocorrido, como no título “Idosa morre após levar marteladas”, publicado pelo informativo no dia 13. Nessa matéria, trechos como: “(...) foi encontrada agonizando” e “foi agredida com marteladas na cabeça e vários chutes na barriga” são exemplos do discurso sensacionalista presente no jornal. Percebe-se que o ‘valor-notícia’ adotado pelo veículo limita-se em descrever detalhes desnecessários ao invés de destacar informações de interesse público.
A composição das capas é outro fator que aponta o uso de recursos que instiga o fator emocional do leitor. Na edição do dia 27 de fevereiro o jornal publicou a manchete “Garota é estuprada e morta a pauladas depois de ir à festa”, acompanhada da imagem do corpo da vítima. Nesse caso, verifica-se que a estética do informativo também é trabalhada para garantir a venda do “produto”: a relação entre as chamadas (na capa), as imagens e o texto.
Nem sempre o uso de recursos que remetem ao sensacionalismo é uma boa opção na composição da linha editorial de um informativo, pois questões como a credibilidade do veículo, por exemplo, pode ser discutida. Essa prática demonstra mais a preocupação em descrever determinados acontecimentos, muitas vezes além do real, do que informar e orientar o público para debates sociais e sua atuação na sociedade em que está inserido.

Karine Nunes


[1] (Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996).

Um comentário:

  1. Difícil evitar o sensacionalismo enquanto a mídia tem como objetivo principal lucrar, não informar.

    Ótima post, a propósito =)

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